(1981) Foreigner – 4


Primeiro algumas afirmações:

 *NUNCA julgue um álbum pela primeira audição.

 *NUNCA ouça um álbum a primeira vez dentro de um ônibus com um MP3 de 50 reais e um fone de 1,99.

Agora uma Historinha:

 Meados de 2010, e lá estava eu colocando pela primeira vez o fone no ouvido com a voz de Lou Gramm soando nele. Lá estava eu falando mal de Mick Jones e pensando alto que Lou Gramm era uma piada de mau gosto, dizendo ao mundo depois disso que o Foreigner não prestava, e que o álbum mais aclamado deles era uma merda… O fato é que naquele dia, estava eu estressado por causa da faculdade, dentro de um ônibus que estava com o motor mais alto que a bateria de Dennis Elliot e o meu super aparelho de som era um MP3 de 50 reais comprado na Santa Ifigênia com um fone de 1,99 …

 Quase 2 anos depois cá estou eu, dizimado pelo som que me consome a mais de 1 mês sem parar no meu MP3 de 50 reais, com meu fone de 1,99 dizendo que este é um dos melhores álbuns da história ….

 O que mudou nesse tempo? …. Não Sei, mas tenho certeza que o álbum que não foi …

 Realmente os seres Humanos são estranhos, então antes de julgar ouça direito seu MERDA!

Lançado na louca, translúcida e drogada década de 80, este álbum se tornaria anos mais tarde um clássico do Hard Rock, rendendo muitos frutos à banda americana, e embalando hits que até alguns pagodeiros podem conhecer. Teclados bastante presentes, saxofone arregaçando no maior hit do grupo presente no álbum e produção do aclamado John “Mutt” Lange, 4 é certamente um dos ápices da longa carreira do grupo, que até hoje tenta se reerguer das cinzas, mesmo sabendo que não vão a lugar nenhum e que seu tempo já passou.

Destaques: Juke Box Hero,  Break it Up, Luanne, Urgent e Woman in Black.

Todas as Faixas foram escritas por Mick Jones, exceto onde anotado.

1 – Night Life ( Gramm, Jones) – (3:48) 4/5

 Típico Hard Rock dos anos 80, que hoje em dia pode soar datado, mas que anos atrás fez milhares de pessoas berrarem extasiadas na época que o Foreigner conseguia lotar estádios e participar de festivais importantes.  

O solo de Night Life juntamente com seu pré chorus são os grandes destaques desta canção de abertura que consegue empolgar o ouvinte logo no início, mesmo não tendo algo de complexo em sua melódia ou harmonia. O teclado bastante audível, como seria em todo álbum, dá as graças com uma linha simples, porém essencial para o sucesso da faixa. Night Life possui diversos bons momentos, os backing vocals bastante inspirados, toda via, depois de algumas ouvidas no álbum soa enjoativa com o riff grudento da guitarra de Mick Jones. Toda via é uma ótima abertura.

2 – Juke Box Hero ( Gramm, Jones) – (4:18) 5/5

O Grande Sucesso da Banda e consequentemente uma das melhores faixa do álbum!

Clássico dos Clássicos, sem mais. Juke Box Hero alcançou a 26ª posição nas paradas da Billboard em 1981 graças a um dia inspiradíssimo de Mick Jones e Lou Gramm. Com grande performasse do vocalista e um refrão pra lá de agitado e grudento, a história do garoto fã de uma banda que resolve montar a sua própria é nos contada em 4 minutos de soberba inspiração. Uma introdução matadora assinada pelo baixista Rick Wills e o peso garantido pelas baquetas de Dennis Elliot nos brindam com ótimos momentos contrastando com a interpretação de Lou Gramm na história contada. Ótima faixa, que mostra bem o que é o AOR com uma mescla do progressivo e que sempre rendia ótimas apresentações nos show da banda, olhe esse vídeo que eu achei de uma apresentação na Califórnia no ano de 2008, simplesmente excepcional.

Critiquei bastante o fato da banda continuar na ativa até hoje no começo deste post, e ainda acho que isso deveria ser repensado, já que os dois últimos lançamentos da banda nada mostram sua capacidade intelectual de fazer música boa, presente por exemplo neste álbum… Toda via existe aquele ditado: ” quem aprende a andar de bicicleta, nunca esquece”, ou seja, Mick Jones e Lou Gramm ainda continuam impecáveis, não como antes, mas melhores que muita gente nova por ai é isso o que mostra o vídeo acima.

Baixo Incrível, Bateria pesada como tinha de ser, Lou Gramm cantando com maestria e Mick Jones com sua fiel guitarra fazendo seu show a parte no belíssimo solo … Quando termino de ouvir canções como essa tenho certeza aque o Rock’n Roll morreu!

3 – Break It Up (4:11) 5/5

Gosta de teclado? Sim …. Eis aqui uma obra de arte para você …. Não? …Ouça essa faixa e aprenda a gostar!

Algo que me lembra bastante o Europe no começo da sua carreira, com os mesmos ingredientes que a banda sueca tanto utilizou em suas músicas: teclado no talo, variações interessantes entre momentos leves e mais pesados e refrão marcante. O teclado aqui é essencial para o sucesso da faixa e agrada até aqueles que tem uma repulsa por músicas orientadas pelo instrumento. Outra que fez um relativo sucesso e virou single do álbum, mostrando a grande capacidade de Mick Jones em compor grandes faixas.

4 – Waiting for a Girl Like You (Gramm, Jones) – 4:49 3,5/5

Grande sucesso POP da década de 80 , que rendeu trilha sonora a alguns filmes e aparições da banda em rádios não somente dedicadas à músicas do demo.

Eis a música que eu disse que poderia ser conhecida até por forrozeiros e pagodeiros, e tem grande probabilidade de você já ter ouvido também, sem antes assimilar ela ao Foreigner. A faixa fez um enorme sucesso no ano de seu lançamento. Por ser uma balada romântica foi tocada muitas vezes em rádios dedicados a outros segmentos e também apareceu em alguns filmes como Footlose (1984). Não gosto muito de músicas como essas: baladas com excesso de teclados e bateria acústica, prefiro as que gradativamente vão aumentando o peso, e isto é algo que não acontece aqui, fazendo a faixa ficar em algo meloso que só. Mas tem gente que gosta e pelos números de Waiting for a Girl Like You ela merece um respeito gigantesco … portanto, feche os olhos e aprecie, só cuidado para não dormir …

 EU ESTAVA ESPERANDO POR UMA GAROTA COMO VOCÊ ENTRAR NA MINHA VIDA ♪

Ohh Shit … Melosa de mais, calma de mais, romântica de mais.

5 – Luanne (Gramm, Jones) – (3:25) 5/5

Após a canção de ninar anterior, Luanne começa, uma faixa extremamente dançante e vibrante.

Luanne também saiu como single, mas não obteve muito sucesso quanto os outros do álbum. É teoricamente uma faixa simples e curta pelos padrões da banda, mas que me agrada bastante, principalmente por Mick Jones e pelo seu riff super contagiante  que nos faz querer seguir seu ritmo, balançando a perna. Os backing vocals aparecem aqui discretamente mas fazem uma diferença lascada. O refrão é o nome da música repetido e é de fácil absorvição,  ficando na cabeça após a primeira ouvida … É sempre assim: Toda vez que ouço essa faixa, na melhor parte ela acaba. Simples, porém ótima.

6 – Urgent (4:29) 5/5

Só quem toca instrumentos de sopro, sabe como é ver seu instrumento sendo utilizado em uma faixa de Rock’n Roll …  Só quem não toca instrumento de sopro sabe como é ter a surpresa de ouvir um instrumento de sopro em uma faixa de Rock’n Roll, e o pior, essa faixa ser ótima …

Observações: Toco trompete, ou seja, me encaixo na primeira opção, mesmo o instrumento de sopro utilizado aqui não sendo o trompete e sim o saxofone.

OH GOD DOS CÉUS …. OH DEMO DAS PROFUNDEZAS ….

 É difícil falar sobre essa música, tudo aqui está perfeito. É a melhor faixa do álbum junto com Juke Box Hero, sem a menor sombra de dúvida. Desde a introdução na tímida guitarra de Jones até ao solo de saxofone presente na faixa está tudo esplêndido. É o baixo ‘grooveado’ de Wills, simples, porém inspiradíssimo, é a voz de Gramm tocante cantando o refrão marcante, é a bateria de Elliot cadenciada e seguindo o baixo ou é a tímida guitarra de Jones no decorrer da faixa? o que será que garante o sucesso de Urgent? Eu não sei, é complicado saber, mas uma afirmação é certa: Urgent destroi, arregaça, acaba com tudo …. E que puta solo de saxofone meu amigo, que puta solo!

7 – I’m Gonna Win (4:51) 4/5

A qualidade cai, e os teclados praticamente somem.

I’m Gonna Win fica no patamar de músicas secundárias do álbum, mesmo sendo uma bela canção. A linha de  teclado bastante utilizada em outras faixas do álbum se torna coadjuvante aqui e dá lugar à guitarra mais presente e ritmada de Mick Jones. Um refrão explosivo com uma letra bastante motivadora, essa é I’m Gonna Win, um belo Hard Rock que passa de maneira rápida e não deixa lembranças.

8 – Woman in Black (4:42) 4/5

A mais diferente, a que tem a melhor letra, a que pode estar falando do amor ou da morte.

Eis aqui a 8ª faixa do álbum, ” A mulher de Preto” que tanto pode ser uma senhora mulher, quanto pode ser a morte. Acho a letra dessa faixa bastante inspirada, com algumas citações que nos remetem a pensar sobre o que a faixa está falando:

From that woman in black, she’s a mystery
She’s everything a woman should be
I said, woman in black, got a hold on me
She’s in control, she won’t set me free
Supostamente da Morte
She is a woman
She’s not a girl anymore
The kind that stirs up a young man’s imagination
She’s dressed to kill
And I’m so ready to fall
Into her world full of strange fascination
Supostamente de uma belíssima mulher.

Woman in Black soa como uma das faixas mais experimentalistas do álbum graças ao riff que recorda ao blues de Mick Jones, é a faixa mais diferente do que o álbum foi até agora. Seu refrão é o grande destaque da canção que nos versos comuns passa de maneira arrastada e que estoura com os backing vocals e com a guitarra de Jones . Woman in Black acaba, mas a dúvida perdura …. Quem será a Mulher de Preto?

9 – Girl on the Moon (Gramm, Jones) – (3:49) 2/5

A Segunda Balada do Álbum, mas com os mesmos sentimentos da primeira: Melação total, teclados a mil e mais uma decepção.

Incrível como as baladas do Foreigner não me agradam. Os teclados novamente soam durante toda a faixa, o que traz um excesso ao som do instrumento que enjoa. O refrão é super meloso e está longe de ser agradável, desculpe, mas não consigo ouvir essa faixa até o final …. meu corpo se nega… É muita melação para uma pessoa só!

10 -Don’t Let Go (Gramm, Jones) – (3:48) 4,5/5

Tínhamos somente uma certeza quando Don’t Let Go começou: Ela não pode ser pior do que a faixa anterior.

Felizmente para sacramentar o álbum aparece Don’t Let Go para encerra-lo. Uma música que conta com os melhores Backing Vocals do álbum em um refrão épico de mais. Uma música que fala sobre amor durante todo o tempo, mas nem por isso soa melosa como as duas baladas presentes. Com sintetizadores a mil, guitarra timida e Lou Gramm cantando de forma incrivel … era assim que se encerrava 4 … com outro petardo!

Obrigado por ler essa resenha até o final! \m/

Nota do Álbum: 8/10

“URGENT, URGENT, URGENT,  EMERGENCY ….”

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  1. #1 por darkmephisto em 11/01/2012 - 17:08

    resenha foda! Finalmente saiu véi

  2. #2 por Lukather em 29/07/2012 - 17:22

    Grande resenha, esse disco é foda mesmo tenho em vinil. Um dos melhores Lado 1,A o que seja da historia ! Quando vc acha que ja ouviu tudo que tinha que ouvir…vc vira a bolachinha e ja tem Urgent ! Recomendo vc fazer uma resenha do primeiro do Foreigner é tao foda quanto o 4.

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