(2004) Vision Divine – Stream of Consciousness


Fundada pelo guitarrista Olaf Thorsen originalmente para ser apenas um projeto paralelo à sua banda na época (o Labyrinth), contava com músicos de peso como o vocalista Fabio Lione (Rhapsody of Fire), que gravou os dois álbuns anteriores a esse e por alguns problemas teve que abandonar a banda (graças a Deus) e o escolhido foi o até então pouco conhecido, Michele Luppi. Esse álbum, particularmente falando, possui a formação que até hoje vejo como perfeita, ao longo de toda a história do Vision Divine:

Olaf Thorsen (guitarra)
Michele Luppi (vocal)
Oleg Smirnoff (teclado)
Andrea “Tower” Torricini (baixo)
Matteo Amoroso (bateria)

*E ainda podemos colocar nessa formação o guitarrista Frederico Puleri, que se juntou a banda durante a tour desse álbum (ao qual podemos vê-lo no DVD gravado durante esse álbum, o Stage of Consciousness).

Stream of Consciousness, é um álbum conceitual, que conta a história de um homem trancado em um hospício, volta ao tempo acompanhado por um anjo da guarda, representando a consciência humana, e começa a se fazer perguntas para ver se foi vantajoso ficar louco para entender o sentido da vida. Infelizmente, não consegui encontrar nenhum trecho da história do álbum, mas acho que pelo conceito da “sinopse” do álbum, posso interpretar a história para vocês (então se eu errar, por favor me corrijam, por favor).

1 – “Chapter I: Stream of Unconsciousness” – (0:57)
Introdução que é basicamente uma versão “insana” do refrão da música seguinte, simples e direta. Trás a ideia de perda de sanidade do personagem.

2 – “Chapter II: The Secret of Life” – (5:21) 4/5
Após a intro, nada melhor que começar com um clássico do álbum. Deixando toda a técnica de lado, o destaque do riff inicial é a simplicidade, sem muita “firula” e bem direto. O então recém contratado, substituto de Fabio Lione e melhor vocalista do Vision Divine até hoje, Michele Luppi já assusta o ouvinte com seus agudos bem nivelados e com uma afinação invejável que chegamos a falar que aquilo é algum tipo de efeito de estúdio, mas não é (depois eu provo o porque). Outro ponto a destacar, são os efeitos e arranjos de teclado que Oleg Smirnoff toca com perfeição. Nessa música, o personagem enquanto perde a sanidade, começa a se fazer perguntas sobre o sentido da vida dele, o que aconteceu, o porque aconteceu e questiona Deus para lhe dar uma resposta para todas as coisas.

3 – “Chapter III: Colours of My World” – (7:21) 3/5
Música com uma pegada bem moderna, tirando um pouco do peso da banda. Nessa faixa, o teclado parece tomar a frente dos outros instrumentos utilizando alguns efeitos que passam a ideia de delírio do personagem. Um dos pontos fortes do Vision Divine não só nessa música, mas em tantas outras, particularmente falando, são as quebras de ritmo ou mudanças de andamento na música, que na maioria das bandas que fazem isso em suas músicas, por melhor que seja a música, da aquela esfriada e torna a música cansativa, que não é o caso do Vision Divine, Olaf Thorsen é um mestre em utilizar esse artifício a favor de suas músicas. Nessa parte da história, o personagem trancado em seu quarto, deseja voltar no tempo para que tenha suas perguntas sobre a vida respondidas.

4 – “Chapter IV: In the Light” – (1:04)
Instrumental.

5 – “Chapter V: The Fallen Feather” – (5:50) 3/5
Pra dar barato, ouça primeiro a intro dessa música, que por sinal é a faixa anterior. Outra música com uma introdução de acordes simples sem muita frescura e bem direta, mas logo da espaço para os instrumentos limpos, sem distorção nenhuma. Destaque para o riff de guitarra no refrão, que particularmente falando, devia ser explorado um pouco mais. Novamente a dupla Olaf e Oleg com guitarra e teclado, colocam a cara pra bater e mostram um entrosamento perfeito, uma pena que Oleg Smirnoff tenha (sido demitido) saído da banda. Nessa etapa da história, um anjo caído começa a acompanhar como uma “voz da consciência” do personagem, que por sua vez questiona sobre o tempo que foi perdido em sua vida e que precisava deste tempo novamente para responder suas perguntas.

6 – “Chapter VI: La Vita Fugge” – (4:40)5/5
Agora para o que você está fazendo e ouça o CLÁSSICO do álbum. Até agora não falei do Luppi porque eu queria falar dele especialmente nessa música. Dentre todos os detalhes como o verso do soneto “La Vita Fugge” de Francisco Petrarca, o riff clááááássico e toda velocidade e técnica dessa música, o destaque absoluto é ninguém mais ninguém menos que Michele Luppi. Agudos absurdos e perfeitos, oscilação de notas graves e agudas, potência vocal e o que mais impressiona nessa música: FÔLEGO. Aposto que você leitor ou leitora fã de Vision Divine já tentou cantar a parte do “I’ll always be laaaaaate”  junto com a música e aposto que conseguiu uma hora….depois de desafinar e não subir o tom igual o Luppi faz e particularmente falando, tenho dó do Lione por isso. Segundo o próprio Olaf Thorsen em uma entrevista nos extras do Stage of Consciousness, um dos motivos para a gravação desse DVD, foi para provar que o “I’ll always be late” que tem no final dessa música é realmente real e não um efeito de estúdio. Em poucas palavras, agora o personagem percebe que a vida dele passou muito rápido e não consegue mudar o curso das coisas que já passaram. Agora, chupação de bolas a parte, da uma ligada nessa música tirada do DVD Stage of Consciousness (como já dito anteriormente):

7 – “Chapter VII: Versions of the Same” – (4:43) 4/5
Depois de uma música rápida, a banda agora da uma desacelerada nos ânimos e trás agora uma música mais “pop” e bem mais calma que as anteriores. Uma curiosidade sobre essa música, existe uma versão DEMO dela com Fabio Lione no vocal e sacos puxados a parte, graças ao bom Deus ele não gravou essa música e sim Michele Luppi, que esse por sinal da uma interpretação única a música que o Lione não chega nem aos pés (já que o Lione não canta essa música, ele geme). Pra quem ainda tem suas dúvidas:
Versão do álbum (com Luppi)
 Versão da DEMO (com Lione)

8 – “Chapter VIII: Through the Eyes of the God” – (4:30) 2/5
Essa é uma daquelas faixas cercadas por grandes faixas e tornam-se “esquecidas”. Particularmente falando, gosto muito das guitarras dessa música, até a quebra de ritmo quando entra a parte mais “clean” da música. Nessa etapa da história, o personagem começa a ter as respostas a qual procura, e isso faz com que a loucura e os medos vão se quebrando aos poucos.

9 – “Chapter IX: Shades” – (5:58) 5/5
Uma das mais bem trabalhadas músicas desse álbum. Consegue conciliar muito bem trechos mais lentos com trechos mais rápidos. Além dessa mescla de tempos, também podemos citar as influências clássicas e modernas que conseguem trabalhar muito bem juntas, obviamente sem interferir no papel de cada uma. E esse refrão? Com aqueles agudos que só o Luppi consegue atingir, assim como em trechos específicos da música, pelinho do braço até arrepia. Agora nosso personagem tem algo como flashes do passado e o futuro, que se encontram e junto com seu anjo da guarda, voam através da sua vida e em seguida se separam.

10 – “Chapter X: We are, We are not” – (5:32) 4/5
Essa música vem com uma pegada bem forte, particularmente falando, poderia ser mais pesada, dando destaque às guitarras e dando um pouco mais de drive para as mesmas. Essa é uma daquelas que funcionam muito bem ao vivo principalmente pelos refrão simples e grudento, digno de se cantar em coro. Merece grande destaque no álbum. Nosso personagem conclui que mesmo vendo seu passado e futuro, não pode fazer nada para não enlouquecer e implora ajuda para ser liberto de sua prisão.

11 – “Chapter XI: Fools Garden” – (1:52)
Faixa instrumental.

12 – “Chapter XII: The Fall of Reason” – (1:49)
Faixa instrumental.

13 – “Chapter XIII: Out of the Maze” – (6:29) 4/5
Seguida pela introdução (faixa anterior), a música começa com todo vapor e com grande destaque ao batera, Matteo Amoroso que o cara parece uma metralhadora nessa música. Refrão grudento numa linha bem característica da banda. Particularmente falando, não acho que funciona muito bem ao vivo (até porque hoje o Lione ia pedir arrego), mas com toda a certeza é uma das faixas mais importantes do álbum. Curiosamente, em um trecho da música, é possível ouvir o riff de guitarra da 2ª faixa desse álbum, The Secret of Life. Só ficou exagerado a quantidade dos arranjos de teclado, que em certos pontos parece não casar com o ritmo da música e tem uma espécie de desencontro ou algo do tipo. O personagem consegue fugir e entrega seu futuro ao destino.

14 – “Chapter XIV: Identities” – (5:37) 2/5
Última faixa do álbum, uma balada que inicialmente, parece uma continuação de The Secret of Life, mas com o passar da música, vai tomando outros rumos. Um destaque para o os arranjos com piano e violão cello que inovam bastante nos trechos instrumentais da música. Particularmente falando, acho meio desnecessário ter incrementado à música as guitarras, bateria e baixo, pois tomou uma outra forma bem diferente do que ouvimos na primeira metade da música. Eis que nosso personagem abandona seu anjo da guarda, e sua alma encontra a verdadeira paz.

Média do  Álbum: 8/10

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