(1978) Kiss Solo Albums – Parte II: Gene Simmons


Depois de muito tempo, continuamos a série sobre os álbuns solo do Kiss de 1978. O próximo é o álbum do demônio aniversariante do dia, Gene Simmons. Ao contrário de Ace Frehley, que contou com uma banda fixa, o disco de Gene é uma salada de músicos de estúdio e algumas participações especiais como Joe Perry do Aerosmith e a peguete da época, Cher.

Engana-se quem pensa que o álbum é o mais pesado dos 4, e segue a linha de pedradas como “God Of Thunder”. Gene fez um disco quase autobiográfico, eclético, um tanto excêntrico e focado em suas raízes beatlemaníacas. Reza a lenda, inclusive, que os Fab Four foram chamados para participarem do álbum de Gene, mas ao saberem das participações um do outro, recusaram.

O título do álbum seria “Man Of 1,000 Faces”, que é uma das faixas do disco, mas a idéia foi descartada após resolverem lançar os 4 álbuns solo apenas com os nomes de cada um. Uma outra curiosidade é o fato de Gene Simmons ser o único que não tocou seu instrumento de origem no álbum solo. O Demon ficou encarregado das guitarras bases junto com outros músicos, e outros ainda cuidaram das partes de baixo e bateria.

As faixas são:

1 – Radioactive (Simmons) (3:50) 4/5

A introdução sombria com direito a violinos, vozes femininas e etc, engana, fazendo pensar que lá vem outra “God Of Thunder”. Porém, passados os 50 segundos, temos um hard rock bem alegre e pulsante, com refrão grudento e tudo. Nada de vozes distorcidas e coisas do tipo, a letra atende aos requisitos canastrônicos de Gene, e o solo é cortesia de Joe Perry do Aerosmith. Foi escrita por Gene para ser cantada pelo lendário Jerry Lee Lewis, mas acabou caindo por aqui, virando single e sendo a única música do álbum de Gene a ser executada ao vivo pelo Kiss na turnê seguinte. O refrão deixa a faixa um tanto cansativa, mas é um bom começo.

2 – Burning Up With Fever (Simmons) (4:19) 3/5

Aqui temos um vocal mais próximo do que estamos acostumados a ouvir no Kiss, porém a faixa, é um caso a parte. Cheia de ‘swing’ e com um refrão que gruda de um jeito impressionante, o grande destaque da faixa, por incrível que possa parecer, é o backing vocal de Donna Summer. A poderosa voz de uma das maiores divas da Disco Music se sobrepõe a qualquer coisa, e dá show, principalmente no final da música. Grande trabalho também do baixista Neil Jason. No mais, é legalzinha, mas soa estranha aos ouvidos de um fã do Kiss. E é bom se acostumar com isso…

3 – See You Tonite (Simmons) (2:30) 4/5

A primeira balada do disco foi uma das primeiras músicas escritas por Gene por volta de seus 16 anos. Aqui nota-se forte influência dos Beatles, em cada parte da faixa. A letra é simples e mostra um lado mais romântico do Demon, que não estamos acostumados a ver. A faixa é relativamente curta, mas tem tempo para um ótimo trabalho de cordas por parte da Orquestra Filarmônica de Los Angeles. A faixa ganhou mais destaque quando recebeu uma versão acústica com o Kiss no histórico MTV Unplugged de 1995.

4 – Tunnel Of Love (Simmons) (3:49) 3/5

Na linha da anterior “Burning Up With Fever”, a quarta faixa vem com mais uma letra canastrônica do velho demônio. Escrita originalmente para o álbum Love Gun, foi rejeitada (graças a Deus) pela banda, e finalmente veio parar na salada mista de Gene. Não é boa, nem ruim, e a letra realmente dá uma vergonha alheia bem de leve. Mais uma vez o refrão é grudento com backing vocals femininos. Pode ir pra próxima, produção?

5 – True Confessions (Simmons) (3:30) 2/5

Mesmo esquema. Porém agora, com uma pegada mais Beatles. A fórmula é aquela que já falamos, só que o refrão consegue ser MAIS repetitivo aqui. Pouco depois da metade da faixa, o eterno refrão para e da lugar a backing vocals fazendo uma espécie de canto gregoriano com vocais de igrejas protestantes americanas. Apesar da sacada até interessante, nem adianta se animar, pois isso vai cair no refrão manjado. Vejamos o que a mente doentia de Chaim Witz nos reserva daqui pra frente…

6 – Living In Sin (Simmons/Delaney/Marks) (3:50) 4/5

Seria engraçado se não fosse trágico. O pior de tudo é que a desgraça é legalzinha. Começa com aquele Gene que todos conhecem falando sacanagem com voz de… voz de Gene Simmons (!), e cai num rockzinho divertido até. Até ouvirmos em meio a chiados de telefone a voz da Cher, falando nada com nada e uns “Is this Gene Simmons??? Oh My God!” e coisas do tipo. Merece destaque pela diversão, porque eu, sinceramente, DUVIDO que você não dê umas risadas ouvindo essa música.

7 – Always Near You/Nowhere To Hide (Simmons) (4:12) 4/5

Até agora falamos bastante sobre influência dos Beatles nesse álbum, e aqui ela chega ao ápice. Gene se mostra bem versátil, e eu arrisco dizer que esta é a melhor faixa do álbum. O velho demônio canta com uma voz suave, e consegue dar um clima bem ao estilo dos Beatles à faixa. O título denuncia um fato que os mais atentos já devem ter percebido: eram duas faixas que se juntaram em uma apenas. Boa(s) faixa(s).

8 – Man Of 1,000 Faces (Simmons) (3:16) 4/5

A faixa que daria título ao álbum continua tendo influência dos Beatles, mas nem por isso é parecida com alguma faixa anterior. Originalmente escrita na época do álbum Dressed To Kill (1975), a letra foi alterada e reciclada ao longo do tempo, e acabou se tornando uma canção autobiográfica de Gene Simmons. O refrão é um tanto repetitivo, mas a faixa faz com que não se torne cansativo. Foi escrita em homenagem a Lon Chiney, um mestre dos filmes de terror do qual Gene é um grande fã.

9 – Mr. Make Believe (Simmons) (4:00) 4/5

Composta durante a primeira turnê no Japão, esta faixa, segundo o próprio Gene, explora uma das “1000 faces” de seu personagem (Sacaram agora?). Uma semi-balada novamente na linha Lennon/McCartney, com bela orquestração e letra bem escrita. Também pertence a extremamente seleta lista de boas músicas desse álbum.

10 – See You In Your Dreams (Simmons) (2:48) 5/5

Curiosamente essa é uma regravação do… Kiss! Isso mesmo, caro leitor, que deve estar mais confuso do que o Mano Menezes a essa altura. Gene não gostou de como a música saiu no álbum Rock And Roll Over do Kiss dois anos antes, e resolveu regravar a faixa em seu álbum solo. O que aconteceu é que a música perdeu em energia, ganhando um pouco mais de peso, e definitivamente os backing vocals femininos no refrão não deram certo. O detalhe é que esse álbum do Gene Simmons é tão bizarro em alguns pontos, que até uma regravação ruim de uma música do Kiss acaba levando nota maior que as músicas do álbum. Shame…

11 – When You Wish Upon A Star (Washington/Harline) (2:44) 3/5

Sim, sim, é essa mesmo. O grilo falante, sabe? Então… Gene Simmons fecha o seu excêntrico álbum solo da forma mais excêntrica possível. “When You Wish Upon A Star” é um tema do desenho Pinóquio, da Disney, de 1940, cantado pelo personagem grilo falante. Gene tem uma história até bonita com a música. Segundo ele, Pinóquio foi um dos primeiros desenhos que assistiu quando chegou aos EUA e mal sabia falar inglês. O garoto Eugene Klein então criou um forte vínculo com a letra da música, que fala sobre acreditar em seus sonhos. Segundo o produtor Sean Delaney, Gene chorou enquanto cantava a música, e depois de ouvir a versão pronta.

Portanto, você garoto (a) que acabou de conhecer o Kiss e acha que Gene Simmons é o cara mais “satânico” do rock, saiba que ele já gravou a música do Pinóquio, e chorou por isso.

Essa vale até o vídeo:

To: Ace, Paul and Peter

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