(02/06/2011) Alice Cooper – Credicard Hall, São Paulo, Brasil


Iron Maiden e Ozzy Osbourne que me desculpem, mas vou começar essa resenha de forma direta: Show do ano.

Foto por Renan Facciolo

Os espetáculos de Alice Cooper são diferentes do normal em vários aspectos: desde a encenação teatral de terror até o público em si. Headbangers, tios e tias de todas as idades, todas MESMO. Ao meu lado na platéia superior havia uma mulher e sua mãe, uma senhora que deve estar beirando os 80 anos, e que curtiu demais o show, principalmente as partes mais agressivas. Coisas que só o Rock And Roll e a Tia Alice conseguem fazer acontecer.

A organização do Credicard Hall é digna de primeiro mundo mesmo. Não se vê um tumulto se quer, é fácil conseguir informações com os seguranças e funcionários, e em show como esse, é claro que o público ajuda, e muito. Hoje, no Brasil, não sei se existe uma casa de shows com nível de infra-estrutura e organização do Credicard Hall. O que mata é sempre a velha história: o acesso não é nem um pouco fácil. Sem contar que pagar 13 reais em um X-Burguer com uma lata de Coca-Cola é no mínimo uma brincadeira sem graça…

Mas como ninguém foi lá pra comer e apreciar a arquitetura, vamos lá…

O show estava marcado para as 21:30, e a pista não parava de encher. Em comparação com o show de 2007, no mesmo Credicard, o público estava muito, muito maior. Sem banda de abertura, com um atraso aceitável de meia hora, exatamente as 22:00 os PAs dispararam o monólogo de Vincent Price, presente no clássico Welcome To My Nightmare de 1975. Acabada a introdução, cai a cortina e a banda mete o pé na porta com “The Black Widow”. E é incrível como aquele senhor Vincent Furnier tem a platéia nas mãos. Alice Cooper entra no palco em uma espécie de plataforma com escadas, empurrada por roadies, devidamente trajados para o show. Lá de cima Cooper comanda o show com seu casaco contendo pernas de aranha, fazendo referência a primeira faixa. A plataforma é virada de forma que Alice possa descer as escadas, e a banda, sem dar tempo pra respirar, segue com “Brutal Planet” do álbum homônimo de 2000. E essa banda merece um destaque imenso nessa resenha, mais pra frente.

Foto por Meteleco.com

Com as duas faixas de abertura encerradas, Cooper começa a despejar clássicos, seguidos, com poucos segundos de pausa entre as músicas. A primeira da sequência foi “I’m Eighteen”, onde Alice a interpreta com sua muleta ensanguentada. Depois “Under My Wheels” e “Billion Dollar Babies”, onde a Tia distribuiu seus “CooperDollars” cravados na espada. “No More Mr. Nice Guy”, que leva o nome da tour (No More Mr. Nice Guy – The Original Evil Returns), veio em seguida, e era nítido que Alice estava curtindo o show tanto quanto todo mundo. No geral, os shows são quase coreografados, Alice não conversa com o público, mas dessa vez o cara simplesmente não parava, batia a sua bengala no chão, chamava a platéia. E a platéia ia.

Segundo o site oficial de Alice Cooper, em Buenos Aires, em todo lugar em que ele ia, alguém pedia “Hey Stoopid”. E assim, ele a colocou de última hora no setlist e vem mantendo a faixa em todos os shows da América do Sul. Não era tocada ao vivo desde 1997, e soa muito, mas muito bem ao vivo, devido ao seu refrão grudento.

Foto por Renan Facciolo

O “descanso” (entre aspas mesmo) começa com “Is It My Body”, faixa que no começo da turnê, teve o famoso número da cobra, uma das principais marcas de Alice aqui no Brasil. Em nenhum show da América do Sul isso ocorreu, mas nada que fique como saldo negativo. A belíssima “Halo Of Flies” vem em seguida. Um dos destaques do show em 2007, e não foi diferente dessa vez. Alice começa “regendo” a banda, e nos brinda com uma ótima interpretação. A faixa é complexa, cheia de mudanças de tempo, e em um determinado momento, Cooper sai do palco, dando espaço para a sua fantástica banda, que como dito anteriormente, merece um destaque.

Da banda que tocou em 2007, só sobrou o fantástico baixista Chuck Garric. O cara encarna meio que um personagem no melhor estilo Alice Cooper também, agita demais, e toca suas linhas de baixo com perfeição. É irônico lembrar que em 2007 o cara foi xingado demais pelo público por seu corte de cabelo “emo”. Agora, com o cabelo diferente, foi elogiado por todo mundo. “Brasil, meu Brasil, brasileiro…”

A banda conta também com os 3 guitarristas: O novato Tommy Henrik, o veterano Damon Johnson (que já entrou e saiu da banda várias vezes) e o veteraníssimo Steve Hunter, que tocou na primeira banda dita “solo” de Alice Cooper em 1975. Mas provavelmente o destaque da banda seja o novo baterista Glen Sobel. Encarregado de substituir o atual “Catman” do Kiss, Eric Singer, Sobel é um animal atrás do kit, tocando com um peso e técnica absurdos.

“Halo Of Flies” cai em um solo de bateria/baixo que foi aplaudido em pé por todo o Credicard Hall. Sobel e Garric se mostram músicos de uma técnica excelente, e mantiveram o público em êxtase até o retorno dos guitarristas para terminar a música. Alice retorna em seguida com uma jaqueta com os dizeres “New Song” nas costas, e o show segue com a new song “I’ll Bite Your Face Off”, que estará no próximo álbum Welcome 2 My Nightmare (Sequência de Welcome To My Nightmare, de 1975) ainda sem previsão de lançamento. A faixa é tão boa, que não soa como “intrusa” no setlist, e a Tia Alice até te ajuda a cantar o refrão, já que por baixo da jaqueta, ele usa uma camisa com o título da música escrito também nas costas. Genial, né?

A sempre ótima “Muscle Of Love” segue os trabalhos, com seu peso e andamento mais rápido. E a “hora do cafézinho” chega com a clássica e sempre presente “Only Women Bleed”. Onde Alice dança com uma boneca, interpretando a canção. Nesse momento senti falta de um item em relação ao show de 2007: a presença da filha de Alice, a bailarina Calico Cooper, que com sua dança e aparições por vezes cômicas, ganhou o público na passagem anterior da Tia por aqui. Sem mencionar o fato da moça ser uma delicinha belíssima…

Foto por Meteleco.com

Como de costume, na sequência de “Only Women Bleed” vem a ótima “Cold Ethyl”, e aqui a amada boneca já não é tão amada assim, e Alice desce a pancada na coitada enquanto canta. Lindo demais isso.

Apagam-se as luzes e ouvem-se barulhos de máquinas, “Feed My Frankenstein” foi cantada em uníssono pelo público, e na minha opinião, ocorre aqui um dos momentos altos do show: durante o solo, Alice, vestido de cientista, vai operar uma máquina estranha, que estava ao lado da bateria desde o começo do show. Luzes piscam, alguma coisa explode, e do fundo sai um boneco enorme de um Frankenstein com a maquiagem de Alice Cooper, andando por todo o palco, e interagindo com a banda e a platéia no melhor estilo Eddie do Iron Maiden.

E as surpresas não param: a próxima faixa é “Clones (We’re All)”, do esquecido álbum Flush The Fashion de 1980, o primeiro dos chamados “Dark Years”, onde Alice mudou sua sonoridade completamente e estava no auge de seu alcoolismo, fazendo com que nem lembre das gravações desses álbuns. E não é que a “esquisitinha” fica muito bem ao vivo? Provavelmente foi tocada pela última vez em 1981 ou 1982, e mostra bem o papel das 3 guitarras, que reproduzem os sintetizadores da original de forma mais pesada atualizada. Grande faixa.

O show segue com a preferida do povo do hard rock, “Poison”, uma das faixas em que o público mais agitou. “Wicked Young Man” foi a próxima, e provavelmente o meu momento favorito do show. Primeiro pela faixa em si, uma das minhas preferidas entre as mais “novas”, e segundo por ser um dos momentos mais Alice Cooper do show, onde um roadie, que já havia sido enxotado por Alice durante “Muscle Of Love” retorna ao palco, e Cooper, utilizando-se de uma barra de metal, empala o coitado, fazendo a barra atravessar a barriga do cidadão, saindo pelas costas. Tudo isso somado a letra extremamente agressiva da faixa, faz um belo número.

O roadie “morto” é levado do palco por outros roadies, e tem início um trecho instrumental de “Killer”, enquanto os carrascos trazem a guilhotina para o palco. Homens vestindo uniformes da SWAT levam Alice para a execução, e com o rufar dos tambores (ou da caixa da bateria de Glen Sobel, no caso), o carrasco puxa a corda, decaptando Alice Cooper para o delírio do Credicard Hall. Enquanto a banda inicia “I Love The Dead”, o sádico carrasco pega a cabeça de Alice do cesto e sai desfilando, feliz, cuspindo sangue na platéia e provocando a banda.

Foto por Meteleco.com

Chuck Garric puxa o refrão de “I Love The Dead” por um tempo, mas as luzes se apagam. Um sinal escolar é ouvido, hora da clássica eterna “School’s Out”, com Alice Cooper usando cartola e bengala, bolas coloridas sendo jogadas ao público e estouradas por Alice, usando uma espada. O ápice da canção vem lá pela metade, quando Cooper puxa a sagrada “Another Brick In The Wall Pt. 2” do Pink Floyd, arranjada com o riff de “School’s Out” de forma magnífica, e cantada a plenos pulmões por todos. Genial o arranjo, além do fato das letras terem o tema em comum.

A banda se despede, e volta para o bis com nada mais, nada menos que “Elected”, a música com uma das letras mais geniais da história. Alice Cooper vem portando uma bandeira do Brasil, e usando uma camisa da Seleção, onde nas costas era possível  ler “Cooper” e o número 18, referência a “I’m Eighteen”. “Elected” é garantia de festa, de gargantas indo pro saco (quem ta com voz de traveco, me add o/) e do discurso eleitoral de Alice Cooper, citando que temos problemas em São Paulo, no Rio e em todo o Brasil, “and personally… I don’t care!”, enquanto caía uma chuva de papéis sobre a pista. A Tia ainda soltou a pérola “Um homem problemático para tempos problemáticos!”. Eu votaria nele, sem pensar duas vezes!

Ao final da música, Alice pergunta se queríamos ouvir mais uma. Diante da resposta positiva, mandam um cover de “Fire” do Jimi Hendrix Experience, pra lavar a alma da galera. Depois do show, o que mais se via eram sorrisos. Até na confusão e demora pra conseguir sair do estacionamento, sorrisos. Bom sinal, não? E se os sorrisos pudessem ser traduzidos, seria algo como “Obrigado pelo show, Alice Cooper! Obrigado, mais uma vez!”

Foto por Meteleco.com

SetList:

Vincent Price Intro
The Black Widow
Brutal Planet
I’m Eighteen
Under My Wheels
Billion Dollar Babies
No More Mr. Nice Guy
Hey Stoopid
Is It My Body
Halo Of Flies/Solo da Banda
I’ll Bite Your Face Off (Nova Música)
Muscle Of Love
Only Women Bleed
Cold Ethyl
Feed My Frankenstein
Clones (We’re All)
Poison
Wicked Young Man
Killer (Guilhotina)
School’s Out/Another Brick In The Wall Pt. 2 (Pink Floyd Cover)
Bis:

Elected

Fire (Jimi Hendrix Experience Cover)

Banda:

Alice Cooper (Vocal)
Damon Johnson (Guitarra)
Tommy Henrik (Guitarra)
Steve Hunter (Guitarra)
Chuck Garric (Baixo)
Glen Sobel (Bateria)

Foto por Renan Facciolo

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  1. #1 por Michel em 03/06/2011 - 13:58

    O melhor show do ano…
    Bela resenha.

  2. #2 por darkmephisto em 03/06/2011 - 14:49

    Como já disse….minha prova de Estrutura I foi mais legal ahuahauhaua -nunca!

  3. #3 por guibby em 04/06/2011 - 0:11

    Carai, que foda.
    Mas pera aí…Credicard Hall sem tumulto?
    No show do Scorpions tumulto ali foi pouco…faltou organização e tal, espero que tenham melhorado e muito hein….pelo que você falou.

    • #4 por Hellion em 04/06/2011 - 0:50

      No 2 shows que eu vi do Alice lá, a organização estava perfeita.
      Talvez no show do Scorpions que tenha sido uma exceção…

      PS: Tentei te ligar 3 vezes durante a Hey Stoopid, bundão! HAUHAUA

  4. #5 por joaora em 08/06/2011 - 21:28

    Caracas, sensacional o vídeo dele cantando Another Brick in the Wall…. O teatro de Vincent e suas interpretações para as canções devem ser um show a parte…. Duplamente foda! Deu inveja de tu my little bear!

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