(2009) Andre Matos – Mentalize


Segundo álbum solo de Andre Matos após sua saída do Shaman em 2006 junto com os irmãos Mariutti, que fazem parte da banda, assim como alguns velhos conhecidos como André “Zazá” Hernandes (guitarrista dos “pré-primórdios” do Angra), Fabio Ribeiro (ex-tecladista de apoio Angra,  até 1999 e do Shaman até 2006) e o baterista prodígio Eloy Casagrande, que tinha apenas 18 anos. Uma curiosidade desse álbum, é o labirinto da capa que após a divulgação, foi muito criticada pelos fãs. A justificativa dessa capa segundo o próprio Andre Matos, o labirinto significa nós mesmos e o caminho que devemos percorrer até o centro para obtermos autoconhecimento. O álbum não tem uma temática central, pois fala de religião, ciência, misticismo, entre outros assuntos que citaremos durante a resenha.

1 – “Leading On” (Matos/Hugo Mariutti/Ribeiro) – (5:08) 4/5

Leading On abre as portas do Mentalize com uma introdução bem arranjada com instrumentos tribais sem perder o peso das guitarras e da bateria até a entrada do vocal. Seguindo uma linha mais pesada, a música perde os elementos tribais pra dar lugar aos arranjos modernos de teclado. Matos prova mais uma vez que é um ótimo compositor nesse instrumental fantástico dessa música.

2 – “I Will Return” (Matos/Hugo Mariutti) – (5:10) 4/5

Introdução cantada em coro até a entrada do instrumental, dessa vez não tão pesado quanto a faixa anterior, diria que está mais “comercial”, mesmo sendo uma excelente faixa. Vagamente, dá pra lembrar alguma coisa da fase do Scarecrow pra frente, do Avantasia, mesmo não apresentando nenhuma influência sobre a banda ou a esse álbum, mesmo com as participações do próprio Andre no Avantasia. A letra é bem moralista, com um pouco de religiosidade no contexto, uma daquelas letras que caem bem na música, seja ela balada ou mais agitada.

3 – “Someone Else” (Matos/Hernandes/Hugo Mariutti) – (5:46) 3/5

A faixa inicia com uma pegada bem pesada e moderna, com direito a efeitos no vocal, mas muda no refrão que tem uma pegada mais melódica. Andre Matos além de um músico ímpar, como compositor arranjou muito bem essa música, dividindo muito bem os instrumentos. Podemos destacar também a dupla Hugo Mariutti e André Hernanes que deram o “algo mais” a essa música. A música com um contexto mais racionalista, trata de uma pessoa com a mente conturbada com a necessidade de se libertar dos problemas e como a própria letra diz, juntar os pedaços de si mesmo.

4 – “Shift the Night Away” (Matos/Hugo Mariutti/Luis Mariutti/Casagrande) – (4:57) 5/5

Música mais alegre e rápida com uma pegada bem melódica, refrão bem marcante e com uma harmonia excepcional. Apesar de uma bem moralista, transmite uma mensagem de esperança, que podemos sentir ao ouvir essa faixa. Um dos destaques do álbum sem sombra de dúvidas.

5 – “Back to You” (Matos/Hugo Mariutti) – (4:13) 2/5

Esta balada lembra muito Innocence do Shaman, que entre os compositores estão Andre e Hugo, membros do Shaman na época. Voltando a essa faixa, a mistura de elementos da música clássica e as guitarras pesadas do Hugo e André (Hernandes) se torna cansativa e não é tão “tocante” quanto sua “prima” Innocence e tantas outras baladas compostas pelo próprio Andre, podemos citar algumas como Moonlight (Viper), Lisbon e Make Belive (Angra), entre outras.

6 – “Mentalize” (Matos/Hugo Mariutti) – (4:04) 4/5

Faixa título do álbum, Mentalize trás uma pegada mais moderna e um vocal mais agressivo e um instrumental bem técnico e bem rápido. Um destaque especial para Eloy Casagrande que apesar da pouca idade, prova que ser aluno de ninguém menos que Aquiles Priester, o transformou em um dos mais promissores bateristas do país. A letra tem um fundo racionalista e científico, conceitos da idéia inicial do álbum.

7 – “The Myriad” (Matos/Hugo Mariutti/Sascha Paeth) – (5:08) 3/5

Uma das melhores introduções do álbum, particularmente falando. Essa música tem uma pegada que lembra alguns trechos do álbum Ritual, do Shaman. Não é uma das faixas mais rápidas, porém, o riff de bateria e os arranjos com guitarras e teclados dão uma pegada única a música. Uma curiosidade é que um Miríade (Myriad), na Grécia Antiga representava cem milhões, que eles acreditavam que seria o número mais alto que existia. Sabendo desse número, a letra faz apologia a religião, que de acordo com minha interpretação é algo como a religião ser tratada como algo grande mas limitado, como o miríade.

8 – “When The Sun Cried Out” (Matos/Ribeiro/Amanda Somerville) – (4:38) 3/5

Participação curiosa na composição dessa música, aparece o nome de Amanda Somerville, para quem não sabe, ela fez parte de projetos como Aina e Avantasia e ainda o projeto em parceria com ninguém menos que Michael Kiske (Kiske/Somerville). Voltando a música, com uma pegada bem gótica, com coral e órgão, se não fosse o Andre que cantasse, já diria que essa música era do Épica ou coisa do tipo. uma faixa muito boa, mas passa despercebida no álbum.

9 – “Mirror Of Me” (Matos/Hernandes) – (4:14) 2/5

Trazendo elementos principalmente do Shaman, essa faixa começa agora lembrando muito a música Pride, do Ritual. Segue a linha do álbum, com uma rítmica mais rápida mas não cativa muito, apesar de ser uma faixa bem alegre. A letra com um raciocínio mais emotivo, talvez se fosse uma balada iria cativar mais.

10 – “Violence” (Matos/Hugo Mariutti/Luis Mariutti/Hernandes/Casagrande/Ribeiro) – (4:59) 3/5

Essa introdução bem trabalhada mas se ouvir com atenção, parece que os instrumentos estão desencontrando. Musicalmente falando, é  bem “Power Metal padrão”, que é bem diferente daquilo que estamos acostumados a ouvir vindo do Andre Matos, para quem acompanha a carreira toda dele. Particularmente falando, é uma das minhas preferidas do álbum apesar que como já passamos por 9 faixas, se torna cansativa e repetitiva. Letra boa para fazer uma reflexão.

11 – “A Lapse In Time” (Matos/Ribeiro) – (2:41) 4/5

Curtinha e direta, uma belíssima balada só a voz e piano no melhor estilo Andre Matos. Conseguimos perceber alguma influência de bandas como Queen nessa composição. Uma letra que condiz bem com o intrumental, que fala sobre uma pessoa solitária ou talvez apenas uma reflexão sozinha. Não tem o que por ou tirar, é simplesmente magnífica.

12 – “Powerstream” (Matos/Hugo Mariutti) – (4:13) 5/5

O álbum termina com força total e com todo o poder que essa música nos transmite. Além de todo o poder e todo que essa música no trás, é completada pela letra que encerra esse álbum com uma mensagem bem otimista, como se estivesse se despedindo dos fãs. Destaque para Andre Hernandes que o cara arrebenta essa música.

BONUS TRACK

13 – “Don ‘t Despair” (Matos) – (5:07)

Essa música foi adicionada como bônus na edição brasileira do Mentalize. Mas o que ela tem de tão especial? Vou contar uma história:

Em 1992, o Angra lançou sua primeira DEMO chamada Reaching Horizons, que foi a DEMO do primeiro álbum deles, o Angels Cry. Das duas músicas que não foram gravadas no Angels Cry, apenas em 1997 Reaching Horizons foi regravada pela banda e incluída no EP chamado Freedom Call. Depois disso a história todo mundo sabe, André, Luis e Ricardo foram pro Shaman, depois André, Luis e Hugo saíram do Shaman e assim vai. Apenas com a formação da banda solo do Andre que tem o Zazá que como já dito, da era “pré-Angels Cry” do Angra, Don’t Despair foi regravada.

Voltemos a resenha: Apesar de se manter praticamente igual a DEMO, essa música adquiriu uma pegada bem pesada e agressiva, em relação a original. Fica aqui a comparação:

Demo do Angra:

Bônus do Mentalize:

Média do Álbum: 7,5/10

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