(1978) Kiss Solo Albums – Parte I: Ace Frehley


Por Hellion

Em 1978, o Kiss experimentava o primeiro de seus muitos problemas internos. Haviam acabado de lançar o clássico Love Gun em 1977, excursionaram sem parar desde o começo da banda, e infelizmente, os egos começaram a crescer. Gene Simmons e Paul Stanley haviam assumido naturalmente a liderança do grupo, até mesmo devido ao fato dos dois estarem sempre sóbrios, o que não ocorria com a outra metade da banda. Paralelo a isso, a marca Kiss crescia sem freio, originando as primeiras bizarrices do hoje famoso merchandising da banda, como bonecos, motos, patinhos de borracha (!), camisinhas (!!), caixões (!!!) e etc. Na onda do merchandising, veio também o primeiro filme: “Kiss Meets The Phantom Of The Park”, onde entre outras bizarrices, os caras tinham super poderes, e haviam clones do mal. E foi durante a gravação do filme que os egos inflaram de vez. Peter Criss e Ace Frehley resolvem abandonar o barco e seguir carreira solo. Os “bad boys do Kiss” estavam determinados, mas foram convencidos por Paul e Gene a ficarem, e poderiam se dedicar a uma carreira solo sem sair do Kiss. A opinião geral então sugeriu o lançamento simultâneo de 4 álbuns solo dos integrantes, dedicariam os álbuns uns aos outros, e poderiam fazer o que quisessem neles.

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O primeiro post da série é sobre aquele que eu considero o melhor dos 4, o de Ace Frehley. Produzido por Eddie Kramer, único produtor com quem Ace se sentia confortável na época (o que já havia sido motivo de muita briga no Kiss), a banda do Spaceman consistia em: ele próprio em todas as guitarras, baixo e vocais, e Anton Fig na bateria. Foi gravado em uma mansão em Connecticut, que fornecia os ambientes necessários. Ace parece ter melhorado muito como vocalista em relação às desastrosas (vocalmente falando) “Shock Me” e “Rocket Ride” que havia cantado com o Kiss. O solo de Frehley é de longe o mais Rock And Roll dos 4, e serviu como alavanca para Ace, que sempre teve pouca auto-estima. Com esse disco, Frehley provou para si próprio e aos colegas de banda, que poderia sim fazer boa música sozinho, tanto como um compositor criativo, um ótimo guitarrista, e por que não um bom vocalista. Tudo isso ao mesmo tempo.

1 – Rip It Out (Frehley/S. Kelly/L. Kelly) (3:39) 5/5

Ace dá início aos trabalhos com uma das músicas mais fortes do álbum. “Rip It Out” tem uma pegada bem forte, e não me refiro apenas ao ótimo Anton Fig, que comanda as baquetas com maestria, mas cada acorde parece ser tocado com força, vigor. O solo é simples e direto ao melhor estilo Ace Frehley, que mesmo não sendo o melhor cantor do mundo, da conta do recado, em faixas como essa que foram escritas pra sua voz. Definitivamente, uma pancada logo de início.

2 – Speedin’ Back To My Baby (A. Frehley/J. Frehley) (3:35) 3/5

Tirando um pouco o pé do acelerador, a segunda faixa vem com uma levada mais rock and roll, e mais destaque para as passagens com solos. A faixa leva o nome de Janette Frehley, então esposa de Ace, que escreveu apenas um verso da música, o que nos leva a pensar que Ace não aguentava mais dormir no sofá (risos). Apesar do bom solo do Spaceman, o refrão começa a encher um pouco no final. Boa faixa, de qualquer forma.

3 – Snow Blind (Frehley) (3:54) 4,5/5

Talvez a faixa mais pesada do álbum, com um riff e refrão extremamente grudentos. Essa é daquelas que tem a cara do Ace, com aquela coisa meio “aérea”. Pouco antes do solo, o ritmo aumenta, mas quem merece o destaque aqui é o baterista Anton Fig, destruindo tudo, escondido atrás do kit. É daquelas faixas interessantes até o finalzinho, onde o riff vai tendo seu tempo diminuído gradativamente até o fade-out. Clássico exemplo da criatividade de Frehley.

4 – Ozone (Frehley) (4:41) 5/5

Aqui temos a veia “blues” de Ace, com um riff bem legal, construído com uma guitarra de 12 cordas, e aquela atmosfera doidona, mais uma vez, a cara do Spaceman. Provavelmente o “oooooozoooone…” vai ficar na sua cabeça por horas, mas a música é muito boa, logo, isso não é um incômodo. O ótimo trabalho de guitarras e a levada contagiante fazem dessa faixa uma das melhores do álbum.

5 – What’s On Your Mind? (Frehley) (3:26) 3/5

Um rockão básico setentista, com uma base acústica e uma performance vocal não tão boa de Ace. Boa faixa, mas por algum motivo não tem o mesmo nível da maioria.

6 – New York Groove (Ballard) (3:01) 5/5

Pra mim, essa faixa é a definição daquela expressão “rock de estrada”. Dê o play, feche os olhos e se imagine pegando a estrada, com vento na cara e o álbum solo de Ace Frehley rolando. Perfeito né? Cover de uma antiga banda da qual Russ Ballard fez parte, a versão de Frehley é a mais famosa, sendo inclusive o único sucesso comercial não só desse álbum, como dos 4 solos do Kiss. Não há muito o que comentar sobre a faixa em si, grudenta, levada gostosa e de fácil assimilação, e o refrão é pra cantar enquanto dirige. Clássico.

7 – I’m In Need Of Love (Frehley) (4:36) 4/5

Faixa com um pouco mais de peso, onde Frehley abusa mais dos efeitos. O riff se torna bastante repetitivo, mas é uma faixa com uma atmosfera bem pesada. Não acrescenta muita coisa no conjunto, mas vale a ouvida. Boa faixa.

8 – Wiped-Out (Frehley/Fig) (4:10) 5/5

Provavelmente uma das mais criativas do álbum, abre com uma risada estridente de Frehley, e logo entra o simples riff. É uma faixa caracterizada por muitas mudanças de tempo, e um refrão bem peculiar. Um ótimo exemplo da criatividade quase insana de Frehley.

9 – Fractured Mirror (Frehley) (5:26) 5/5

A faixa instrumental fecha o disco com chave de ouro, sendo considerada o “bebê” de Ace. A introdução acústica vai ganhando corpo e peso, até a entrada de alguns efeitos eletrônicos muito bem encaixados, nada muito forçado. Tem um clima meio “sideral” no melhor estilo Ace Frehley, e de tão querida pelo guitarrista, acabaria ganhando versões posteriores em seus álbuns da carreira solo, “Fractured Too” em Frehley’s Comet de 1987, “Fractured III” em Trouble Walkin’ de 1989 e “Fractured Quantum” em Anomaly de 2009. E assim termina, na humilde opinião deste que vos escreve, o melhor dos quatro solos do Kiss de 1978.

To: Paul, Gene and Peter.


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  1. #1 por Marco Antônio em 26/03/2014 - 11:28

    Rsrsrs, “What’s On Your Mind?” é a minha preferida deste álbum. Realmente esse é o melhor dos 4 solos e o melhor trabalho do Ace!

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