(02/04/2011) Ozzy Osbourne – Arena Anhembi, São Paulo, Brasil


Por Hellion

Definição de espetáculo? Sim. Espetáculo das bandas, do público, e da chuva, que também foi ver Ozzy Osbourne em São Paulo.

A chuva foi realmente um elemento de grande importância nessa noite. Durante a entrada do público na arena, que ocorreu sem maiores problemas, as nuvens já davam sinal de que ela ia aparecer, e não tardou pra que caísse um balde d’água na cabeça de cada um dos presentes, ainda antes do show de abertura. E por uma boa coincidência, a última gota de chuva caiu enquanto o Sepultura entrava no palco.

A banda é impecável, tocando um set de 13 músicas durante exatamente uma hora, começando às 20:00 e terminando às 21:00 em ponto.
Derrick Green com seu português quase hilário brincou bastante com o público, anunciando as faixas, todas executadas com perfeição. Andreas Kisser também conversou com o público, anunciando a faixa que foi tocada do novo álbum Kairos, que ainda será lançado: Seethe.
Tecnicamente impecável, apesar de eu não ser muito fã da banda.

SetList Sepultura (abertura):

Arise
Refuse/Resist
Dead Embryonic Cells
Convicted In Life
Choke
Seethe
Troops of Doom
Septic Schizo
Escape To The Void
Meaningless Movements
Territory
Inner Self
Roots Bloody Roots

Banda:

Derrick Green (Vocal)
Andreas Kisser (Guitarra, backing vocals)
Paulo Jr. (Baixo)
Jean Dolabella (Bateria)

Terminado o set do Sepultura, começa a retirada dos equipamentos da banda, até que finalmente as 21:30, ecoa pelo Anhembi a introdução “Carmina Burana” de Carl Orff, velha conhecida dos fãs do Madman, e então o velho entra correndo pelo palco levando todos à loucura com sua presença. Após os tradicionais “Go fuckin’ crazy” que só serviram pra deixar a arena inteira ainda mais em êxtase, Ozzy Osbourne instaura a loucura total com sua clássica frase “Let The Madness Begin!” seguida pelos primeiros acordes de “Bark At The Moon”. Assim mesmo, sem vídeo de introdução, sem nada, o cara “chegou chegando”.

Logo em seguida é anunciada “Let Me Hear You Scream”, única faixa do álbum Scream de 2010, o qual a turnê promove. Tocada em uma levada um pouco mais lenta, muito provavelmente para se tornar mais acessível ao próprio Ozzy, que usou uma bandeira do Brasil como capa em alguns momentos aqui, a faixa manteve o público no mesmo nível de loucura, embora esse estivesse prestes a aumentar…

O tecladista Adam Wakeman inicia a famosa introdução da pedrada “Mr. Crowley” e o velho Ozzy continua instigando o público com seus gritos, e dá-lhe balde d’água. Mas foda-se, já tava todo mundo molhado mesmo…

A “faixa-coringa” “I Don’t Know” segue com o show, com seu riff característico, e muito bem executada, e chega então o primeiro momento em que este que vos escreve teve certeza de que viria a falecer: “Fairies Wear Boots”, executada com uma pegada FODA, sem dever nada à versão original do Black Sabbath.

Atendendo aos meus gritos já totalmente sem voz, o Madman toca o barco com “Suicide Solution”, e aquele riff tocado ao vivo pelo competentíssimo Gus G. é de arrancar lágrimas de qualquer um. “Suicide Solution” também marcou a volta de uma velha conhecida do público presente: a chuva.

Ozzy, já tão encharcado quanto o público, convida a chuva a participar do show com um simpático “Fuck the rain, man! Fuck the rain!” o que só serviu pra fazer o encharcado Anhembi vir abaixo. A chuva cumpriu bem o papel de deixar o clima mais épico ainda durante a bela “Road To Nowhere”. O tio Hellion aqui já tava mais pra lá do que pra cá a essa hora.

O velho Madman entre um gole de água e outro, e nos seus “passinhos de pingüim” nos intervalos entre as músicas (segundo meu primo), anuncia ainda debaixo de uma tromba d’água a clássica “War Pigs”, e o público mais ensandecido ainda (se é que era possível) cantando os riffs. O destaque nessa faixa é o tecladista Adam Wakeman, que assume uma guitarra base aqui, como já havia feito anteriormente em “Fairies Wear Boots”.

Após o culto emocionante da faixa anterior, “Shot In The Dark”, faixa do subestimado The Ultimate Sin de 1986 segue com o show, com o refrão cantado em alto e bom som por todos os presentes. Nessa faixa devo dizer que Gus G. solou como um animal, e isso era apenas o começo, já que a faixa emendou com seu momento de destaque. O solo de Gus G., impecável, mostrou aos incrédulos que o grego tem total competência para substituir Zakk Wylde, e ainda guardou uma inusitada surpresa: Gus tocou “Brasileirinho”, e ganhou definitivamente o público.

A banda segue sozinha no palco, enquanto o velho Ozzy ganha um descanso merecido em “Rat Salad”, que contou com mais um solo de Gus G. e um belo, porém, extenso solo de bateria de Tommy Clufetos, o nosso querido “Jesus Espancador de Peles”. O cara tem a mão MUITO pesada, mas o solo acabou esfriando um pouco o público, muito provavelmente pela duração, um pouco além do necessário.

O solo de Clufetos terminou com batidas cadenciadas no bumbo, e o público “cantando junto” com a bateria. O mais entendido sabe o que isso significa: “Iron Man”. E aquele riff não clássico, mas sagrado, é cantado em um coro de 30.000 pessoas no Anhembi, sendo com certeza um dos (muitos) pontos altos do show. Durante o solo de “Iron Man”, outro momento inusitado: Ozzy pega um morcego de borracha e lasca uma mordida no brinquedo, pra delírio do pessoal da “geração MTV”.

Sem tempo pra respirar, vem a divertida “I Don’t Want to Change The World”, com seu riff e refrão grudentos e perfeitos pra cantar junto. O golpe de misericórdia do “Príncipe das Trevas” viria com um “All Aboard!!!”, e todos estavam dentro do “Crazy Train”, faixa executada com maestria pela banda, e principalmente Gus G., que mantém a pegada clássica da música, o que não acontecia nos tempos de Zakk Wylde.

A loucura do público era tão grande (como Ozzy pediu durante todo o show), que o Madman nem sequer saiu do palco para começar o bis, ele próprio puxando o coro de “One more song! One more song!”.

A próxima “one more song” foi a maravilhosa “Mama, I’m Coming Home”, cantada a plenos pulmões pelo Anhembi, e não era difícil ver marmanjo chorando igual um bebê nesse momento (nem olhem pra mim…).

Ozzy continuou puxando o “One More Song!”, embora todos já sabiam que o show chegava ao fim com o hino máximo “Paranoid”, simples e direta como deve ser, e com a chuva terminando de lavar a alma de todo mundo, banda e público.

Se Ozzy Osbourne não tem a mesma vitalidade dos “anos dourados”, isso não foi problema. Se a chuva foi torrencial, isso não foi problema. Se o chão do Anhembi é de asfalto e ficou totalmente alagado quase até a altura da canela… ok, isso foi chato. Mas nada que tirasse o brilho da presença do Pai do Heavy Metal, o Príncipe das Trevas, o Madman, Ozzy Osbourne.

SetList Ozzy Osbourne:

Carmina Burana (Intro)
Bark At The Moon
Let Me Hear You Scream
Mr. Crowley
I Don’t Know
Fairies Wear Boots
Suicide Solution (Chuva)
Road To Nowhere
War Pigs
Shot In The Dark (Gus G. Solo)
Rat Salad (Tommy Clufetos Solo)
Iron Man
I Don’t Want To Change The World
Crazy Train
Mama I’m Coming Home
Paranoid

Banda:

Ozzy Osbourne (Vocal)
Gus G. (Guitarra)
Rob “Blasko” Nicholson (Baixo)
Tommy Clufetos (Bateria)
Adam Wakeman (Teclado, Guitarra Base)

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  1. #1 por Nayara em 05/04/2011 - 0:08

    É o Senhor John Michael Osbourne por ser dislexo até que foi longe ein. Isso se deve ao seu jeito peculiar seguido de boa música.

    Ótima resenha Hellion, não fui no show mas pude ter acesso aos detalhes. E como não dizer que isso me trouxe uma certa invejinha de quem foi ver o Pai do Heavy Metal.

    Abraços
    Parabéns pela matéria.

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