(1992) Black Sabbath – Dehumanizer


É um pássaro? Um avião? Não, é o viado do superman Roque Veloz voltando à ativa! \o/

As rotinas e vidas dos editores estão TENSAS³, então não temos como manter uma atualização constante, mas não, nós não abandonamos o blog! E pra voltar bem, nada mais, nada menos do que o álbum mais pesado do Black Sabbath, quiçá, do Rock! (Lembrando que Thrash/Death/Black Metal são cheaters!)

Senhoras e senhores, meninos e meninas de qualquer orientação sexual, com vocês, Dehumanizer!

Por Hellion

Até o final de 1991, as coisas estavam pacatas no planeta Black Sabbath. Haviam terminado a turnê do álbum Tyr de 1990 com a seguinte formação: Tony Martin (vocal), Tony Iommi (guitarra), Neil Murray (baixo) e Cozy Powell (bateria). Mas eis que o destino coloca novamente o Black Sabbath e Ronnie James Dio frente a frente. Começou com Geezer (recém saído da banda de Ozzy Osbourne) indo a alguns shows de Dio. Nesse meio tempo, Geezer já havia regressado ao Black Sabbath, que se encontrava em recesso pós-turnê. Conversa vai, conversa vem, é anunciada também a volta de Dio, com a condição de que fosse chamado de volta também o baterista Vinny Appice, e tínhamos então a volta da formação responsável pelo clássico Mob Rules de 1981.

A turnê que se seguiu (que passou pelo Brasil em 1992) contou também com um capítulo importante na história da banda: o Sabbath foi convidado a abrir aquele que seria o show de despedida de Ozzy Osbourne em Costa Mesa, porém, seu desafeto histórico, Ronnie James Dio, se recusou a fazer o show, sendo chamado às pressas o frontman do Judas Priest, Rob Halford, em uma noite histórica.

O álbum em si, é provavelmente o mais pesado da carreira da banda. Tony Iommi e Geezer Butler estão no auge de sua técnica e Dio, como sempre, mantém o nível excepcional. Here we go…

Melhor música: I

Pior música: Sins Of The Father

Todas as faixas por Tony Iommi, Geezer Butler e Ronnie James Dio.

1 – Computer God (6:14) 5/5

Começar um álbum com uma faixa dessas é sacanagem. Perfeição. Se eu escrevesse só essa palavra sobre a primeira faixa de Dehumanizer, seria mais do que justo. A introdução com sons de máquinas e engrenagens funcionando dá lugar à bateria de Vinnie Appice, que já entra com um peso fora do normal, anunciando o que vem por aí. Então temos aquele timbre de guitarra inconfundível tocando aquele riff que você ouve e pensa: Tony Iommi. Dio está cantando com raiva e sua voz está impecável, a letra, que faz referência a uma possível dominação mundial pelas máquinas é também fantástica. Quem me conhece sabe o quanto eu puxo o saco do Geezer Butler, e mais uma vez, serei obrigado a dizer que o cara é perfeito. Linhas de baixo complexas e bem tocadas, com aquele peso que só um membro original do Sabbath consegue ter. A faixa segue até uma passagem lenta e semi-acústica com uma bela interpretação de Ronnie James Dio, e acelera no final, com o alucinante solo de Iommi e um grito de Dio no final que faz qualquer um tremer na cadeira. Classe total, caro leitor, Black Sabbath.

2 – After All (The Dead) (5:41) 5/5

Uma das introduções mais tenebrosas que você provavelmente ouvirá na vida, de arrepiar os pelos pubianos mesmo. Com a entrada dos vocais de Dio o clima não fica muito mais feliz, e sim mais agressivo. A cadência continua com um desfile de riffs geniais e a voz impecável de Dio, seguidos pelos não menos importantes Geezer, que segue os já citados riffs e a batida poderosa de Appice. Essa música foi feita para soar como a clássica “Black Sabbath”, do álbum [e banda] homônimos, e eu diria que em vários aspectos até mesmo a supera. “After All” me causa muito mais medo do que a irmã mais velha, principalmente em versões ao vivo, como no “Live At Radio Music City Hall” do Heaven & Hell, reencarnação dessa formação do Sabbath. Como curiosidade, e pra afirmar mais uma vez a morbidez da faixa, vale lembrar que ela foi cotada pra ser o tema do primeiro jogo da série Doom. Ouça no talo, e não olhe pra trás…

3 – TV Crimes (4:02) 5/5

Se até agora o disco mantinha o clima denso e cadenciado, prepare-se pra um chute nos testículos se você for homem, e pra algo equivalente se você for mulher. O título entrega a acidez da letra, cantada com raiva pelo baixinho, e o instrumental, bom… lá vamos nós:  Iommi solando DEMAIS, e aplicando uma velocidade e peso absurdos. Appice moendo o couro lá atrás, e Geezer… veja bem… só vou dizer que essa linha de baixo é quase um solo de 4:02 minutos. O que o Sabbath faz nessa terceira faixa é simplesmente BRUTAL, não há muito a acrescentar. “TV Crimes” teve também um videoclipe que chegou a fazer bastante sucesso, inclusive aqui no nosso humilde Brasilzinho, passando bastante na MTV, em uma época em que a grande maioria do que toca por lá hoje não existia, ou não tinha idéia de sua existência.

4 – Letters From Earth (4:16) 4/5

O nível do álbum não se mantém na quarta faixa, mas ainda há muita coisa interessante por aqui. Quem sobreviveu ao massacre da faixa anterior, ganha mais um descanso aqui com a volta do andamento mais lento, dando grande ênfase aos riffs de Deus Tony Iommi. Dio é impecável como sempre, cantando divinamente. Algumas quebras de tempo e paradas da base durante o solo são o destaque por aqui, e prestando atenção, é possível sentir um “que” de Dio na música, mais precisamente de Lock Up The Wolves, o que é natural, já que esse era o trabalho mais recente do baixinho. Mas essa influência de forma alguma descaracteriza o som da banda, pelo contrário, só acrescenta mais genialidade, se é que é possível.

5 – Master Of Insanity (5:55) 4/5

Complexa é a palavra que define a quinta faixa de Dehumanizer, e provavelmente eu vou repeti-la algumas vezes aqui. A faixa começa com uma linha de baixo complexa, seguida por um riff bem complexo, até a entrada do vocal potente de Ronnie James Dio, a partir de onde caímos em um riff mais básico com um andamento um pouco mais acelerado. Volta e meia o já citado riff complexo volta a dar as caras, tornando a faixa um redemoinho musical, bem no tema da letra, vide título. Típico caso da faixa que impressiona, principalmente por sua ‘complexidade’.

6 – Time Machine (4:15) 5/5

A coisa esquenta mais uma vez com aquela que é provavelmente a faixa mais “comercial” do álbum, tendo sido parte da trilha sonora do filme Wayne’s World [Quanto mais idiota melhor], ao lado de outras pérolas da época como “Hey Stoopid” de Alice Cooper e clássicos como “Foxy Lady” de Jimi Hendrix e a imortal “Bohemian Rhapsody” do Queen. A faixa em si tem como destaque o peso e a ótima atuação de Dio, deixando um pouco de lado os riffs ‘complexos’ [chega, né Hellion?]. O refrão é ótimo, com Ronnie despejando toda sua potência e qualidade, e isso contribui para que todo mundo torça o nariz para a versão do Cross Purposes Live, lançada 2 anos depois, já com a volta de Tony Martin, que apesar de ótimo cantor, não é nenhum Ronnie James Dio. [Nunca será!]

7 – Sins of the Father (4:46) 3,5/5

O até agora todo poderoso Dehumanizer dá o seu primeiro real tropeço apenas na sétima faixa, um heavy com uma levada bem legal, atuação impecável da banda, mas sem muito a acrescentar. O riff é bom, mas não é genial, a cozinha Butler/Appice faz o “feijão com arroz” e Dio canta pra caralho, ou seja, tudo nos conformes. Continuando…

8 – Too Late (6:54) 5/5

Não é difícil reconhecer uma obra prima. Na maioria das vezes as obras primas gritam pra você “sou uma obra prima!”. Com essa filosofia de boteco, começo a falar sobre a oitava faixa do álbum. É o tipo de música que cresce e diminui algumas vezes ao longo de sua execução de uma forma tão genial, que não seria exagero dizer que a música “pulsa”. Ela começa com uma bela passagem acústica e uma mais bela ainda interpretação dramática daquele baixinho feladamãe que não devia ter morrido. Aos poucos a faixa vai crescendo com a entrada da bateria, dando mais força, e por fim, o Sr. “Tony-dos-riffs” resolve parar de brincar e entra rasgando um riff sombrio, denso, grave, lindo, como de costume. O refrão é simplesmente poderosíssimo, com Dio dando o melhor de si em termos de voz e interpretação. Esse turbilhão de genialidade cai em um solo magnífico de Iommi, que cansado de explodir nossos cérebros com riffs, passa a esmagá-los com solos. Voltamos enfim à parte acústica inicial, que logo cresce novamente nos últimos grandiosos refrãos. Não há nenhum comentário específico sobre isso tudo, apenas que esse é um dos casos em que a música grita “sou uma obra prima!”. E não sou eu que vou discordar do Black Sabbath…

9 – I (5:12) 5/5

Pra quem acha que eu puxei demais o saco na faixa anterior, vocês não viram nada. A melhor faixa do disco começa com uma guitarra bem distorcida, numa introdução bela e enigmática. E a entrada de todos os instrumentos se dá com o já tradicional peso, e um riff simples, porém fantástico. A letra é o grande destaque, falando de egoísmo e individualismo, e magistralmente interpretada por Dio. Temos também um solo cheio de efeitos, e no pré-solo o até agora tímido baixo de Geezer aparece, seguindo a guitarra numa repetição da introdução. É a melhor do álbum, repito, por vários motivos, mas principalmente pelo fato de ter uma das melhores letras já escritas pela banda, vale a pena  conferir.

10 – Buried Alive (4:49) 5/5

E pra fechar, mais uma das pérolas desse álbum que simplesmente não tem música ruim. Quem rouba a cena aqui é o mestre Iommi, solando durante boa parte da música, e destruindo tudo como sempre. Dio também merece destaque, e mais uma vez é perceptível uma influência de sua carreira solo por aqui. A faixa tem uma levada que lembra bastante a clássica “Zero, The Hero” do álbum Born Again de 1983, com Ian Gillan nos vocais. Ambas as faixas devem essa pegada ao baixo feroz de Geezer, com um som mais “sujo” e pesado. Grande faixa pra fechar um grande álbum.

Média do álbum: 9,5/10

Rob Halford e Tony Iommi no show histórico de Costa Mesa, 1992

Vinny Appice, Geezer Butler, Ronnie James Dio e Tony Iommi

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