(1980) Alice Cooper – Flush The Fashion (The Dark Years Pt. 1)


Por Hellion

Dark Years

Início dos anos 80, sem dúvida um dos momentos mais baixos da carreira de Alice Cooper. Mas estamos falando em um dos maiores gênios da arte comtemporânea, portanto, não pense que vai encontrar material ruim por aqui.

Com o final da turnê de divulgação do álbum From The Inside de 1978, que foi acabar só no começo de 1980, o punk e o new wave haviam dominado a cena, e embora Alice ainda lotasse os shows, as vendas de discos estavam em queda vertiginosa. E como muitos artistas foram obrigados a fazer em todas as épocas, Alice Cooper foi obrigado a se adaptar aos novos tempos. Como já dito no parágrafo anterior, o grande barato daqui é que a pior música de Alice Cooper é ainda muito boa.

A mudança mais impactante foi em relação ao visual. Inspirado agora em alguns estilos de teatro europeu, Alice Cooper abandonou o visual derivado de filmes de terror com o qual ficou conhecido, prendendo o cabelo (algumas pessoas achavam que ele havia cortado, mas Alice fazia questão de soltar o cabelo no final de alguns shows e dizer ironicamente “Não estão contentes por eu não ter cortado?”) e usando uma maquiagem totalmente diferente.

Some o momento histórico ao auge do alcoolismo de Alice, e você terá os quatro álbuns mais estranhos sonoramente falando, e algumas das letras mais geniais já escritas. Do clima eletrônico de Flush The Fashion e Special Forces aos mais inteligentes e elaborados Zipper Catches Skin e DaDa, o que temos aqui é simplesmente boa música, por um dos maiores gênios do estilo, mesmo não estando em seu melhor momento.

Flush The Fashion – 1980

E eis o primeiro dragãozinho, a começar pela capa. Os dizeres “Alice Cooper ‘80” deixam bem claro a nova fase da Tia, enquanto o título mal e porcamente rabiscado faz com que não tenhamos idéia do que vamos encontrar ao colocar a bolacha pra rodar. E sinceramente, mesmo depois de ouvir o álbum todo, continuamos com um ponto de interrogação na cabeça.

Você que vai se aventurar a ouvir este e TODOS os discos dessa fase, aí vai uma dica: cabeça aberta. Goste ou não, mas ouça com a mente livre, não espere um Billion Dollar Babies ou até mesmo um Trash ou Along Came A Spider, a coisa aqui é BEM diferente.

A banda de Alice na época era:

  • Davey Johnstone – Guitarras
  • Fred Mandel – Guitarras, Teclados
  • Dennis Conway – Bateria
  • “Cooker” John LoPresti – Baixo

E vamos lá:

Melhor música: Pain (Vídeo do filme ‘Roadie’, onde Alice ainda aparece com seu personagem clássico.)

Piores músicas: Leather Boots e Aspirin Damage empatadas, tão ruins que não tem vídeo no YouTube de nenhuma delas.

1 – Talk Talk (Bonniwell) (2:09) 4/5

A abertura do álbum nem é tão estranha assim. Com um riff até bem pesadinho, a primeira diferença que se nota são os efeitos eletrônicos, que serão uma constante não só nesse álbum como nos outros. Os vocais de Alice soam, sem dúvida, diferentes, mas ainda não sabemos exatamente porque, logo tudo será mais evidente. A faixa tem um clima bem divertido e uma letra bem rebelde, mas é apenas uma amostra do que vem por aí.

2 – Clones (We’re All) (Carron) (3:03) 4/5

Ainda sob os últimos “Talk talk, talk talk” do refrão da faixa anterior, começa a batida característica daquela que é o maior, se não o único clássico dessa época. A letra é tão tosca que aliada com o clima, a coisa fica quase cômica. Os efeitos são mais fortes por aqui, mas a faixa ainda tem um certo peso bem legal. Ta aí uma dessa época que a Tia podia muito bem reciclar.

3 – Pain (Cooper/Johnstone/Mandel) (4:06) 5/5

Uma semi-balada com forte presença de teclados, nada de mais. Mas a letra é simplesmente genial! Nota-se a diferença em relação às duas anteriores que não foram escritas pela banda. Mesmo com uma sonoridade diferente, o que temos aqui é aquele Alice Cooper de sempre, com bastante ironia e humor negro, assumindo o papel simplesmente da dor, em primeira pessoa, com aquela interpretação que só o Alice consegue fazer, inspirando um certo medo em alguns momentos e soando cômico em outros, essa é uma das grandes perdidas entre os Dark Years.

4 – Leather Boots (Wester) (1:36) 1/5

Uma frase define a quarta faixa de Flush The Fashion: Que merda é essa?

Uma musiquinha country (das ruins) com direito a banjo e tudo (ou sei lá o que é isso) com uma interpretação horrível de Alice. Só não dei 0/5 porque a faixa é bem curta, ainda bem. É a única coisa de bom nela, nem a letra ajuda. Próxima, PELO AMOR DE DEUS!

5 – Aspirin Damage (Cooper/Johnstone/Mandel) (2:57) 1/5

Eles se esforçaram pra piorar o monstrinho anterior. Só conseguiram igualar. A letra nem é muito escrota, mas esse refrão entraria fácil no meu Top 10 de piores refrãos. Os efeitos eletrônicos estão realmente em excesso por aqui, e meu Deus, como Alice Cooper está cantando mal! Realmente não foi uma das melhores fases de sua vida…

6 – Nuclear Infected (Cooper/Johnstone/Mandel) (2:14) 3/5

Como diria o poeta qualquer pessoa: tá foda.

O nível sobe um pouco. Só um pouquinho mesmo. Parece que “Pain” foi o último suspiro do Alice que nós conhecemos, as letras seguem ruins de doer, mas comparado com as anteriores, “Nuclear Infected” é um sopro de ar fresco, com menos efeitos eletrônicos e mais música.

7 – Grim Facts (Cooper/Johnstone/Mandel) (3:24) 4/5

Depois de um ‘não tão longo’ tempo, uma boa música! “Grim Facts” é um hard rock com pegada bem setentista, parece ter saído de Goes To Hell de 1976. O refrão é digno de menção honrosa, muito bom mesmo. A única coisa que peca aqui é o vocal de Alice, que andou bem abaixo da média nessa época, mas mesmo assim, boa música.

8 – Model Citizen (Cooper/Johnstone/Mandel) (2:39) 4/5

A introdução na bateria é ‘feliz’. O riff é ‘feliz’. O clima dessa música é bem ‘feliz’. Mantendo a veia mais rocker da faixa anterior, “Model Citizen” conta com uma ótima letra, bastante irônica, criticando o “Cidadão Modelo” americano. Mais uma vez os vocais da Tia deixam a desejar, mais falando a música do que cantando, e sem aquela interpretação decisiva de antigamente. Ainda assim, uma das melhores do disco.

9 – Dance Yourself To Death (Cooper/Crandall) (3:08) 3/5

A levada bem cadenciada com riffs bem legais não deixa de ser interessante, mas a faixa não é das melhores. Com mais uma performance vocal longe do esperado e uma letra mais longe ainda do esperado, é a famosa “tapa buraco”. Nada muito ruim, nada muito bom.

10 – Headlines (Cooper/Johnstone/Mandel) (3:18) 4/5

Uma das faixas mais pesadas do álbum, fecha a coisa toda em bom nível. O riff bem rápido de Johnstone da o background para uma letra razoável (considerando o que já foi apresentado aqui). O destaque fica realmente com Davey Johnstone, que no final da faixa ainda manda um solo muito bom enquanto os últimos versos são cantados, assim termina ‘Flush The Fashion’.

Média do álbum: 5/10

Em breve a 2ª parte dos Dark Years de Alice Cooper, com o mais tenso ainda ‘Special Forces’. Aguardem!

Nesse mesmo canal, nessa mesma hora.

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  1. #1 por Neimar em 24/02/2011 - 0:14

    Não deve ser mesmo fácil para alguém que não precisava provar mais nada a respeito do seu talento artístico como Alice Cooper, ter que criar um clássico ano após ano.

    Flush The Fashion é, sim, inferior à sequencia de álbuns clássicos Love It to Death/Killer/School´s Out/Billion Dollar Babies/Muscle of Love/Welcome To My Nightmare. Mas Flush the Fashion é, no mínimo, muito interessante.

    Acontece que, como todo ser de carne e osso (e cérebro), Alice Cooper tem momentos de maior e de menor inspiração. Mas acima de tudo, nunca perdeu a ousadia de “experimentar”. O que tem de country em Leather Boots??? Banjo???

    Quanto à Aspirin Damage: Alice interpreta nessa música um cara que se dopa com remédios pq se tornou depressivo depois de ter sido abandonado. A INTERPRETAÇÃO do Alice é de um cara que está nessa situação de coitado por ter ficado viciado em analgésicos. Não vejo vocal mais apropriado pra uma música que segue nesse clima.

    Dance Yourself to Death fala do ‘desgosto’ de um adolescente ‘careta’, que se envergonha do comportamento anos 60 que seus pais ainda mantêm. O vocal expressa esse tédio do adolescente que tem dificuldade de entender os pais.

    Sonoramente, Alice também procurava explorar novas possibilidades. Tem muito teclado no disco, mas isso é proposital. A intenção é essa mesma: uma sonoridade que fazia um “crossover” entre o hard rock e a sonoridade new wave daquela época. Basta ouvir outro disco produzido pelo mesmo Roy Thomas Baker de Flush the Fashion: o álbum da banda The Cars do ano anterior (1979) e sentir a semelhança sonora de algumas passagens. Então, Alice estava copiando??? Não! Estava apenas experimentando, “misturando” seu bom hard rock com outras sonoridades e fazendo um trabalho interessante.

    O que deu errado então? Várias possibilidades: A banda Alice Cooper foi a maior E MAIS BEM-SUCEDIDA aposta da Warner Bros. na primeira metade dos anos 70. Vendeu muito, as tours foram todas bem sucedidas, a banda saiu na capa da revista de finanças FORBES e em dezenas de capas de revistas de rock. No mundo dos negócios é assim: procura-se a nova sensação antes mesmo do fim ou do esgotamento da atual. E foi oq aconteceu. Aposta em novas bandas, a saúde do Alice, que só piorava com a volta do alcoolismo pós internação de 77, enfim. Muitos fatores contra.

    “Clones” foi o único hit do disco, ok! Fazer oq se não entenderam “Pain” e “Dance Yourself to Death” que eram hits em potencial tb?

    Flush The Fashion é sim um bom disco. Logicamente não deve ser comparado com os álbuns lançados pela banda original citados acima nem com Welcome to My Nightmare, o primeiro e sensacional dosco solo. Mas vale a pena ouvir e ter em sua coleção.

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