(2002) W.A.S.P. – Dying For The World


Por Hellion, bebendo sangue e comendo carne de inimigos😉

Tenho ouvido muito esse álbum nos últimos tempos. Ele sempre me passou um sentimento de raiva, ódio, etc. E lendo um texto do Blackie Lawless descobri que esse álbum foi feito exatamente pra isso.

Dying For The World é o décimo álbum de estúdio do W.A.S.P., e segue a linha séria e política do seu antecessor Unholy Terror de 2001, porém é mais sombrio. Segundo Blackie Lawless, com o início da guerra no Afeganistão e Iraque, ele se lembrou das cartas que recebeu de soldados americanos no início dos anos 90 na Guerra do Golfo, que diziam que as tropas colocavam Heavy Metal em potentes caixas de som nos tanques de guerra como forma de assustar os inimigos. Nas palavras de Blackie “eles ouviam a música e sabiam que a morte estava chegando”. Com o desastre ocorrido em 11 de Setembro em New York e o início da guerra, Lawless decidiu dar mais algumas músicas para o exército americano usar na guerra, por isso, musicalmente e liricamente, DFTW é um manifesto de ódio, raiva e vingança. A única coisa que pesa contra a bolacha é a produção e mixagem, que torna o som às vezes meio embolado, mas nada que prejudique a audição. O álbum contém algumas das melhores letras já escritas por Lawless e é literalmente um soco no estômago da primeira à última faixa. Ideal pra mandar aquele cara chato ou aquela sua peguete indecisa tomar no meio do cu! \,,/

Melhor música: Revengeance

Pior música: Não há. O álbum consegue manter o alto nível do começo ao fim, algo extremamente raro.

Todas as faixas por Blackie Lawless.

1 – Shadow Man (5:34) 5/5

Quando me referi ao “soco no estômago” você leitor imaginou algo na linha do Slayer? Se sim, pode se decepcionar um pouco nos primeiros segundos, mas acredite, quando o riff principal (que é plágio descarado de “God Of Thunder” do Kiss) entrar você vai sentir a pancada. A letra é quase uma provocação aos terroristas, como no refrão onde Blackie vocifera: “Where’s the God that made you? Oh, you’re superman!”. Refrão esse que é digno de ser bradado por um batalhão inteiro, com direito a alguns “Hey!” em coro logo após os versos. O “nem tão novo” guitarrista Darrell Roberts também destrói tudo com solos realmente ferozes. Que abertura!

2 – My Wicked Heart (5:38) 5/5

O ritmo aumenta na segunda faixa, com sua intro explosiva e os versos na linha da clássica “L.O.V.E. Machine” do primeiro álbum. Na minha humilde opinião, um dos melhores registros vocais de Blackie Lawless, afinadíssimo, cantando pra caralho. O destaque vai para uma passagem pré-solo em que se ouvem reverbs da voz de Lawless com as guitarras ao fundo, de arrepiar mesmo. Após mais um solo matador, a banda volta com tudo ao refrão. A letra aqui é praticamente um pedido de perdão a Deus por todo o ódio despejado nesse álbum, outra letra bem forte.

3 – Black Bone Torso (2:15) 5/5

“Black Bone Torso, Black Bone Torso…”

Blackie sussurra tenebrosamente o título da faixa, que funciona como uma introdução para a próxima. O álbum é tão pesado que até uma faixa que era pra ser uma balada ganha contornos sombrios. A letra é um tanto abstrata, até mesmo difícil de ser interpretada, e segundo Blackie Lawless é uma crítica aos casos de pedofilia e abuso sexual de crianças praticado por padres católicos. Lawless segue quase sussurrando os versos enquanto Darrell Roberts sola quase escondido sob as fortes batidas do lendário Frankie Banali. Temos então um raivoso “Want to fuck you!!!” (me corrijam se não for isso que Blackie diz) e começa…

4 – Hell For Eternity (4:40) 4/5

O ódio corre solto pela quarta faixa, um daqueles hardões pesados bem característicos do W.A.S.P.. Os vocais de Lawless estão bem gritados, principalmente no “simpático” e grudento refrão: “Hell! Kill ‘em to Hell for Eternity! Oh, Tonight! Hell! Send ‘em to Hell for Eternity! Oh, It’s Alright!”. O nível não se mantém em relação às outras faixas, principalmente pelo já citado problema com o som embolado. Simplesmente não se define muito bem o que está sendo tocado durante os versos, infelizmente. Mas nada que tire o mérito.

5 – Hallowed Ground (5:54) 5/5

Um melancólico Lawless canta sobre suas impressões de quando viu pela primeira vez o lugar onde anteriormente estava o World Trade Center em Manhattan, por cima de um instrumental lento e sombrio (como todo o álbum), até o apoteótico e ainda mais triste refrão, repetido algumas vezes. É de arrepiar a interpretação de Blackie, que como ativista político que sempre foi, com certeza cantou com o coração aqui. Os vocais param por volta da metade da faixa, dando lugar a uma avalanche de solos matadores do competentíssimo Darrell Roberts. A balada lembra bastante a clássica “Sleeping (In The Fire)” do primeiro álbum, com seu peso característico até mesmo para uma música lenta. Blackie Lawless é um cara muito chato, mas é sem dúvida uma das figuras mais inteligentes e criativas da cena, o que faça com que talvez seja até meio incompreendido em alguns aspectos.

6 – Revengeance (5:20) 5/5

O título denuncia: lá vem pancada. A introdução foi feita sob medida pra fazer tremer qualquer exército com sua levada aparentemente calma e perigosa. A banda entra então com tudo com os vocais gritados e carregados de raiva cantando sobre vingança sem piedade contra os terroristas. A letra ainda compara a atitude dos grupos terroristas muçulmanos à passagem bíblica onde Caim mata seu irmão Abel. Reza a lenda que um irmão de Blackie Lawless morreu durante os atentados de 11 de Setembro de 2001, o que teria aumentado ainda mais o ódio de Lawless contra os terroristas, explícito nessa faixa, mas ele nunca se pronunciou sobre isso, e portanto, isso nunca foi confirmado. Após o poderoso refrão, uma passagem semelhante à citada durante a segunda faixa, “My Wicked Heart”, entra em cena com as guitarras novamente ao fundo enquanto Lawless repete o título da faixa. A calmaria é apenas aparente e o que se segue é mais um solo de guitarra arrancador de cabeças. Sem dúvida uma das faixas mais pesadas da carreira do W.A.S.P., em termos líricos e instrumentais. Masterpiece.

7 – Trail Of Tears (5:50) 5/5

Talvez a única faixa em todo o álbum que foge do tema 11 de Setembro/Guerra ao terrorismo. Blackie Lawless tem descendência indígena, do povo Blackfoot, e portanto tem uma forte ligação com a cultura indígena americana. Em 1804 quase a totalidade da nação Cherokee (da qual os Blackfoot são uma ramificação) foi obrigada a atravessar milhares de quilômetros em território americano a pé, como prisioneiros. A escassez de água e comida fez com que grande parte não conseguisse chegar ao destino da marcha, e os que chegaram foram lá executados. Essa grande marcha é conhecida como “Trail Of Tears” (“Caminho das Lágrimas”). Blackie Lawless nos brinda com um de seus melhores momentos como vocalista, e uma interpretação de arrancar lágrimas. Por sinal, o conteúdo e a atmosfera da faixa parecem ter arrancado lágrimas do próprio Lawless, como podemos perceber no final da faixa onde sua voz parece “amarrada”, sofrida, difícil de descrever. Na primeira ouvida a faixa pode parecer muito com a anterior “Black Bone Torso”, devido à pegada forte de Frankie Banali, que lembra bastante a faixa anterior. Triste e linda.

8 – Stone Cold Killers (4:56) 4/5

Mais uma das “explícitas” anti-terrorismo. Com um clima que lembra bastante o conceitual The Crimson Idol de 1992, Lawless segue vociferando ódio e provocando em versos como “My God will kill your god”. Musicalmente é daquelas faixas que mesclam bem o Hard Rock dos anos 80 com Heavy Metal tradicional. Mais um ótimo trabalho de guitarras da dupla Lawless/Roberts. O refrão é poderoso e é com certeza o destaque da faixa.

9 – Rubber Man (4:25) 5/5

A faixa já começa com aquele que é provavelmente o melhor riff em todo o álbum, e então, adivinhe? Porradanazoreia! Nem na última faixa Blackie Lawless dá um descanso com seus vocais bem fortes aqui e outro refrão matador. A letra é um tanto abstrata, mas percebe-se a citação à clássica “Chainsaw Charlie (Murders In The New Morgue)” do Crimson Idol na estrofe:

“The son of Charlie
Morgue of liars
Don’t let him get ya
Oh, or he’ll sodomize you
Ball breaker and raper he’ll
Do it to you
Rubber man’s a fucking liar”

Após mais um daqueles já citados pré-solos em que ficam apenas os vocais, Darrell Roberts executa seu papel mais uma vez com perfeição, porém não com tanto brilho como em outras faixas. Os destaques vão novamente para o refrão, especialidade do W.A.S.P. e para o riff simples, porém genial.

10 – Hallowed Ground (Take #5 Acoustic) (6:08)

O álbum termina com uma versão acústica da quinta faixa, onde acústico mesmo só a guitarra base, dando um clima mais leve à coisa toda. A única coisa que muda efetivamente é que o refrão é cantado mais uma vez durante o solo da segunda parte. Um tanto desnecessária, já que o peso é um dos grandes destaques da original, mas vale como souvenir. Não vou dar uma nota, pois como já disse, nada muda.

Média do álbum: 10/10

“You wrote with pain as you slash my flesh, wrath’s revenge lives again!!!” – Revengeance

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