(1984) SP Metal


Por DarkMephisto

 

No início dos anos 80, o Brasil vivia um período de mudanças políticas e possibilitou uma abertura maior para o exterior e, musicalmente falando, possibilitou uma facilidade no acesso a músicas, álbuns, artistas, entre outros. Nesse contexto, se formavam as primeiras bandas de Heavy Metal aqui no Brasil, que movidas por muita união e dificuldades, conseguiram atingir o sucesso e hoje são vistas como referências no cenário metálico aqui no país.

Em uma época de Hard Rock e Heavy Metal em alta, havia uma grande procura de álbuns e bandas de “Rock Pesado”, porém na Galeria do Rock (na época Grandes Galerias), não existiam tantas lojas especializadas em rock. Foi ai que Luiz Carlos Calanca da loja de discos Baratos Afins,  especializada em rock, por falta de ter uma quantia necessária para lançar todos as bandas que desejava na época,  foi o responsável pelas coletâneas SP Metal I e SP Metal II, que me arrisco em dizer que foi o grande ‘marco zero’ do Heavy Metal brasileiro.

Na coletânea de que vamos falar, SP Metal I, as bandas que foram escolhidas para integrar esse álbum são:

-Avenger
-Centurias
Salário Mínimo
-Vírus

Curiosamente, essas bandas ao contrário da maioria das bandas de Heavy Metal atuantes hoje aqui no Brasil, não só essas que integram o SP Metal, mas a grande maioria das bandas da época cantavam em português, o que hoje em dia é totalmente “estranho”. Temos algumas exceções, como exemplo, Viper e Sepultura, que apareceram na segunda metade da década de 80, entre outras.

Além de todas as faixas serem cantadas em português, podemos colocar um ponto negativo em todas as faixas, mas relevante, que é a qualidade do áudio. Por ser estranho, como foi na época, mas é de se entender que a qualidade da gravação não é tão boa, até porque o Heavy Metal não tinha o mesmo tratamento que tem hoje, em relação a gravadoras, estúdios, etc. Além do fator “Brasil”, que naquela época não tínhamos aparelhagem de primeira linha, como nos países de primeiro mundo, ao contrário de hoje, que até o próprio metal tem discos masterizados com qualidade invejável e que se compara as gravações do exterior.

Aos que chegaram até aqui, obrigado por ler essa introdução com uma minúscula parte do que foi o conceito do SP Metal. Fiquem com a resenha:

Melhor música: Cabeça Metal

Pior música: Matthew Hopkins

1 – Avenger – “Missão Metálica” – (4:39) 4/5

Essa faixa abre o álbum e traz consigo uma forte influência do Judas Priest que ao ouvi-la, é bem perceptível. O vocal entra e a letra é bem influenciada pelo Judas. Não possui um solo tão técnico, mas podemos destacar o riff que foi muito bem composto, mesmo sendo bem simples. Ótima faixa para abrir esse álbum, sugestivo até pelo nome, pois dá uma idéia de “‘introdução” do álbum.

2 – Centúrias – “Duas Rodas” – (3:25) 5/5

Com um ‘pézinho’ no AC/DC, o Centúrias apresenta sua primeira faixa do álbum, com uma temática bem Heavy Metal tradicional, falando sobre motos, estradas, etc. Tem uma pegada bem interessante e um solo mais técnico que a faixa anterior, que é um dos pontos a se destacar. Uma pena o áudio não ter uma qualidade melhor.

3 – Vírus – “Matthew Hopkins” – (3:16) 4/5

Introdução no baixo rápida que é seguida pelos instrumentos e vocal entrando juntos. É uma letra forte, fala sobre Matthew Hopkins, um famoso caçador de bruxos do século XVII. A precariedade da gravação é o ponto fraco dessa faixa, assim como todas as outras. Faixa rápida e meio que “crossroad”. A primeiro momento, parece uma música “bizarra”, mas após ouvi-la com mais calma, nota-se que é uma grande música.

4 – Salário Mínimo – “Cabeça Metal” – (4:13) 5/5

A faixa se inicia com um riff mais simples mas bem contagiante. A música é pesada e que trás o Metal como tema. É aquela música que foi escrita para ser tocada ao vivo, com direito a cantar em coro “OOO”. Solo simples, mas bem criativo e direto. Disparado uma das melhores do álbum.

5 – Centúrias – “Portas Negras” – (3:55) 5/5

Segunda faixa do Centúrias nesse álbum. Introdução vai alterando sua rítmica gradativamente até a entrada dos vocais. A linha de baixo nessa faixa é simples mas é o grande destaque dessa música. O único ponto que podemos questionar, é a guitarra que não foi feliz na regulagem da distorção. Melhor música do Centúrias nesse álbum.

6 – Salário Mínimo – “Delírio Estelar” – (3:55) 5/5

A música inicia com uma introdução que conseguimos recordar dos riffs do Judas Priest. Os vocais são trabalhados sob o riff inicial, sem alterar o ritmo ou a velocidade da música. Assim como a maioria das músicas até o momento apresentadas, não possui um solo extremamente virtuoso, mas é bem criativo, então podemos destacá-lo nessa música.

7 – Avenger – “Cidadão do Mundo” – (3:57) 5/5

Penúltima faixa do álbum e segunda do Avenger. Instrumentalmente falando, eu gosto muito dessa faixa. A melodia dela também é bem interessante. O ponto negativo dessa faixa, é só a letra, que é um pouco “diferente” do convencional. Particularmente, essa faixa é uma das minhas preferidas desse álbum, então sou meio suspeito de falar sobre ela. O solo é bem ousado, alguns erros de notas, mas nada que influencie negativamente essa música. Vale a pena conferir.

8 – Vírus – “Batalha no Setor Antares” – (5:12) 4/5

Última faixa desse álbum lendário e significativo para a história do Heavy nacional. A música se inicia com uma introdução “obscura”, seguida por um riff bem pesado, seguindo essa linha mais obscura. Os vocais entram e o ritmo da música fica mais rápido. Um ponto negativo, são as guitarras que abusaram no overdrive. Destaque para o solo dessa música e para a linha melódica da música.

 

Média do álbum: 7/10

 

Considerações finais:

Esse álbum, em minha singela opinião, foi o primeiro passo de um estilo que na época, ainda estava engatinhando. Não foi a falta de grana ou a modinha da época que fizeram esses caras pararem. Infelizmente, por muitos que se dizem “headbangers”, essas bandas são apenas uma lixaria, com o perdão da palavra e uns “dinossauros” que não sabiam fazer música.

Mas hoje, podemos analisar que graças a esses “dinossauros”, bandas como Sepultura, Angra, Shaman, Viper, entre outras, são sucesso no mundo todo, e principalmente as duas primeiras, são de vertentes diferentes (Thrash e Power, respectivamente), mas estão sempre levando o nome do Brasil e a cultura do país para o resto do mundo.

Não coloquei isso como uma lição de moral, mas para que antes de falar “ahh as bandas brasileiras são horríveis…prefiro as gringas!”, analise, busque, pergunte, o metal nacional é vasto, se for falar de cada banda, de cada vertente do metal, ia precisar de mais alguns posts hehe. Não critique o Heavy Metal do Brasil antes mesmo de conhecer, como já dito, existem muitas bandas novas (e antigas também) de qualidade,  é só correr atrás.

Desculpem a demora para esse post, mas é que eu li e arrumei muito, varias vezes, porque um post desse tem que ser tratado com carinho. Se você chegou até aqui, muito obrigado. Valorize o metal do Brasil!

 

 

 

 

Dedicado a @vamadeu por ficar no meu pé todo dia no ônibus pra eu postar rápido.

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  1. #1 por PD em 13/12/2010 - 19:42

    “Todo aquele que fosse acusado, de ter um pacto com o diabo”
    adoro essa música porque me traz lembranças

    parabens ao Blog, galerë
    o/

  2. #2 por Josy Rock em 15/12/2010 - 12:41

    Excelente artigo.

    O “SP Metal I” foi um dos álbuns pioneiros no Brasil e lançou grandes bandas que até hoje estão na ativa.
    Só discordo do autor quando fala em “Marco Zero”. Pois esse foi do STRESS, de Belém do Pará, que lançou seu Lp homônimo, três anos antes, em 1982. O Stress é de fato e de direito a primeira banda de Heavy do Brasil.
    Parabéns pela qualidade das matérias e resenhas deste Blog.

  3. #3 por Yann em 12/02/2011 - 1:25

    Ótimo disco

    Na minha opinião é muito pelo contrário, as melhores músicas são as da banda Vírus, tanto “Matthew Hopkins” quanto “Batalha no Setor Antares”

  1. Tweets that mention (1984) SP Metal « Roque Veloz /,,/ -- Topsy.com

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