Entrevista Exclusiva – Salário Mínimo


Por Isabella Brendler

A banda Salário Mínimo surgiu na década de 80, quando o Brasil ainda não tinha uma noção tão completa de hard/heavy. Depois de participarem da coletânea “SP Metal”, em 1987 a banda gravou seu primeiro cd, “Beijo Fatal”, pela RCA. Ficando inativa em 1990 e voltando com toda força e novos integrantes em 2002, a Salário Mínimo agora encara uma boa fase: abertura de grandes shows, como Scorpions e Twisted Sister, lançamento do novo cd “Simplesmente Rock” e a participação no documentário Brasil Heavy Metal. Sorte? Que nada. Os caras batalharam muito pra chegar até aqui, e mostram que com humildade e competência, podem representar o Brasil no cenário do rock mundial. Leia a entrevista exclusiva pro Roque Veloz e perceba que de mínimo, a Salário não tem nada!

LINE-UP:
China Lee (vocal), Daniel Beretta (guitarra), Junior
Muzilli (guitarra e voz), Diego Lessa (baixo e voz)
e Marcelo Ladwig (bateria)

CONTATO:
www.myspace.com/bandasalariominimo
www.bandasalariominimo.com.br
twitter.com/salariominimo

Roque Veloz: Vocês puderam acompanhar as mudanças no rock brasileiro desde a década de 80. O que vocês podem dizer sobre isso? Do que sentem falta?
China Lee: Realmente foram muitas mudanças, nos anos 80 todos queriam ter uma banda com repertório próprio. Nos anos 90 começou a mudar para os covers, que acabaram tirando um pouco o lugar do som próprio, agora acho que as pessoas estão voltando a dar valor novamente para criações originais. Sinto falta da união que havia nas bandas dos anos 80…

Roque Veloz: Em que bandas brasileiras atuais vocês ainda botam fé? Vocês acham que ainda podemos  esperar pelo surgimento de grandes bandas e que ainda podemos acreditar num momento musical comparável aos anos 80?
China Lee: Tem muita gente boa trabalhando, o que falta é coragem de ir pra estrada e ralar bastante, gosto do “Carro Bomba”, “Baranga”, “Comando Nuclear” e muitas outras. Continuo acreditando que vamos dar uma virada de mesa.
Daniel Beretta: Gosto muito de bandas que ainda estão no underground, tem muita banda perdida em bares sem estrutura tentando mostrar seu trabalho, assim como as bandas citadas pelo China. Fizemos muitos amigos e conhecemos várias bandas de nível A, e muitas abriram nossos shows tanto em São Paulo como no interior, se temos chance de uma virada eu não sei, mas bandas para acontecer existem.

Roque Veloz: A Salário Mínimo continua fazendo história como uma das mais puras representantes do heavy brasileiro. Como é ostentar esse título? Qual foi o momento mais emocionante na carreira de vocês?
China Lee: Realmente estamos em um momento muito bom com reconhecimento da crítica e público, trabalhamos muito para manter nosso nome em alta. Já a respeito do momento mais marcante, foram muitos, não tenho como descrever, mas a cada dia tem um novo acontecimento, por exemplo, no show do Europe eu e o Daniel (Beretta) quase não conseguimos assistir o show, tamanho o entusiasmo dos nossos fãs.

Roque Veloz: Daniel, além de participar da banda, você desenvolveu o site e faz a maior parte dos contatos, certo? Acho bacana essa participação tão efetiva nos negócios da banda. O que a Salário Mínimo representa pra você?
Daniel Beretta: Sim, fiz a web da banda assim como o encarte do álbum “Simplesmente Rock”, flyers, cartazes etc, e garanto, dá uma dor de cabeça do caralho… mas gosto muito do que faço e tento ser o mais profissional possível, não consigo me ver na banda apenas tocando guitarra. O Salário é uma banda que representa muito para o cenário do rock nacional e hoje representa parte da minha história. Virei parte da história do rock no Brasil! Mais emoção do que isso nem uma “Dama da Noite” pode conceder! risos

Roque Veloz: O que vocês ouviam quando adolescentes e o que mais ouvem agora? Que bandas (nacionais e internacionais) são as melhores na opinião de vocês?
China Lee: Elvis Presley, Beatles, Black Sabbath, etc. Atualmente ouço Nickelback, Gotthard, Mötley Crüe. As melhores: Nacional, Carro Bomba, internacional, Nickelback.
Diego Lessa: Faith no More, Yes, Rush, Led Zeppelin, etc. Atualmente ouço Winger, Gotthard, Nickelback, Kiss, Metallica. Nacional, concordo com o China e internacional gosto muito de Gotthard.
Daniel Beretta: Os meus amigos de banda já falaram muitos nomes, gosto de todas elas, mas curto muita banda porrada como Pantera, Death, Slayer, Destruction. Nacional, Carro Bomba é uma banda excelente, mas uma banda que impressionou ao Diego e a mim foi o Ace 4 Trays. Internacional, considero Megadeath acima da média.

Roque Veloz: Elejam (ou tentem, sei que é difícil…) o álbum mais foda que vocês já ouviram…
China Lee: Álbum Branco dos Beatles.
Diego Lessa: All the Right Reasons – Nickelback
Daniel Beretta: Simplesmente Rock – Salário Mínimo. risos

Roque Veloz: Estive no show do Scorpions, e vocês fizeram uma ótima abertura, resgatando até Sociedade Alternativa.  Houve algum papo com o pessoal do Scorpions no backstage?
Diego Lessa: Tive contato com o Pawel Maciwoda (baixista) e Klaus Meine (vocal), eles elogiaram a qualidade do som banda e a mim como músico. Não tivemos muito acesso aos músicos do Scorpions, porém o empresário deles veio pessoalmente parabenizar a banda no camarim.

Roque Veloz: Com a mudança na formação, com certeza vieram mudanças (ainda que leves) no jeito de tocar da banda. Como vocês definem o estilo atual da $M? Quais são as maiores influências?
China Lee: Continuamos com duas guitarras pesadas, uma cozinha marcante e uma voz potente, acho que estamos mais maduros nos arranjos e composições. Nossas influências são muitas, do Heavy ao Hard.
Daniel Beretta: Acho que mudanças seriam inevitáveis, novos músicos, novas influências, novas técnicas, mas tentamos manter o máximo da identidade do Salário Mínimo porém mais moderno e atual. Gostamos de Rock n’ Roll!!! Mais influência que essa impossível! risos

Roque Veloz: Quais são os projetos para a Salário Mínimo daqui pra frente? Ainda existe algum objetivo que vocês sonham em alcançar como banda?
China Lee: Entrar em estúdio para um novo CD, divulgar nosso cd atual na Europa com alguns shows (o “Simplesmente Rock” está com lançamento previsto para Dezembro deste ano). Nosso maior objetivo é voltar a tocar por todo o país.

Roque Veloz: Antes de produzir um álbum, geralmente rola aquela idéia central, uma mensagem a ser transmitida. Qual foi esse “estalo” no Simplesmente Rock? O que ele traz de diferente em relação ao Beijo Fatal?
China Lee: Queríamos fazer um álbum mais atual com letras maduras sem sermos rotulados (Simplesmente Rock) e misturando as novas influências dos novos integrantes. Em relação ao Beijo Fatal, além da época que era outra (bem diferente), estamos mais modernos e pesquisando diferentes sonoridades, sabendo explorar melhor a tecnologia de hoje.

Roque Veloz: Assisti o clipe do Brasil Heavy Metal e achei fantástico, deixou bem claro que é um trabalho sério. Como foram as gravações? Houve encontros no estúdio, teve aquele “clima de equipe”?
China Lee: Alguns dos vocalistas estão participando bastante, conversando com o Micka(diretor do documentário), mas na verdade os maiores contatos foram pela internet e pelo telefone.

Roque Veloz: China, você ouviu a música tema do Brasil Heavy Metal, gravada originalmente pelo Stress, em primeira mão. Qual foi a sensação naquele momento?
China Lee: Primeiro chorei, depois fiquei impressionado com a composição e a sonoridade. Foi uma música que me levou de volta aos anos 80.

Roque Veloz: Agora vocês vão abrir o show do Twisted Sister na Via Funchal dia 27. Caramba!
Daniel Beretta: Estamos realmente orgulhosos de poder tocar ao lado de outra lenda do rock. Prometemos fazer um show ainda mais enérgico!
China Lee: Tenho um enorme respeito por Dee Snider, que é um frontman como poucos.

Roque Veloz: Obrigada pela entrevista!
China Lee: Muito obrigado, precisamos muito de pessoas como vocês do Roque Veloz!
Diego Lessa: Obrigado à todos pelo carinho, pela atenção à banda e vamos juntos rumo ao sucesso! Long Live Rock n’ Roll!
Daniel Beretta: Isabella, obrigado pelo contato, graças a um comentário ao Salário em seu blog fizemos o primeiro contato (na época da nossa abertura pro Scorpions), e já está rendendo amizade e até entrevista! risos Obrigado pelo apoio ao Salário e ao Rock Nacional. Abraço a todos do Roque Veloz!

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  1. #1 por eraldo alves dos santos em 11/11/2010 - 0:27

    curto metal desde os anos 80, a magia da epoca era algo fantastico e esse dvd vem provar quanto o metal nacional e importante..

  1. (27/11/2010) Twisted Sister – Via Funchal – São Paulo – Brasil « Roque Veloz /,,/
  2. Show do Twisted Sister m/ « Luxe Percent
  3. (1984) SP Metal « Roque Veloz /,,/

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