(1990) King Diamond – The Eye


Por Hellion

Halloween! Dia de lembrar daquela professora que você adora, da sogra, ou da mãe de alguém que mereça! Mas como somos brasileiros e não desistimos nunca não temos essa coisa toda de “doces ou travessuras”, aproveitamos o dia pra postar álbuns no clima. E nada melhor no halloween do que um bom heavy metal com histórias de terror, coisa que o King Diamond sabe fazer de melhor! Portanto, caro visitante do Roque Veloz, vamos voltar no tempo com o Olho da Bruxa!

O sucessor de Conspiracy tem muitos pontos em comum com o seu antecessor e também muitas diferenças. Liricamente, não faz parte da saga “Them”/Conspiracy, e apresenta uma mistura de realidade com ficção. Os fatos envolvendo um colar chamado “The Eye”, são claro, ficção, porém, os personagens apresentados existiram de fato, em sua determinada época. A banda está em sua melhor época em termos de técnica e criatividade, e não difere muito do grupo que gravou o álbum anterior, com exceção do baterista Snowy Shaw, que entrou no lugar de Mikkey Dee. Não darei ênfase à bateria, porque foi usada na maior parte do álbum uma bateria computadorizada. No mais, ótima história, ótimo álbum.

Melhor música: The Meetings

 

Pior música: Father Picard

Antes de iniciar a análise faixa a faixa, vou colocar aqui a tradução de um trecho das notas do álbum, que ajuda a situar o ouvinte na história:

“As partes principais das histórias narradas
neste álbum são, infelizmente, verdadeiras
e ocorreram durante a inquisição francesa,
entre 1450 e 1670. Todos os personagens seguintes
são reais e pertencentes àquela época.

Nicholas de la Reymie: Investigador-chefe
da Corte Cristã da Fogueira (Estaca Ardente),
em Paris, França.

Jeanne Dibasson: Uma suposta bruxa

Madeleine Bavent: Freira francesa de 18 anos
que entrou para o convento em Louviers em 1625,
depois de ter sido seduzida por um padre.
Morreu em 1647 na prisão.

Padre Pierre David: Capelão do convento
em Louviers até sua morte em 1628.

Padre Mathurin Picard: Capelão do convento
de Louviers de 1628 até sua morte em 1642.
Dentre suas ações insanas e doentias,
ele conseguiu estuprar Madeleine Bavent.

1 – Eye Of The Witch (King Diamond) (3:47) 5/5

A primeira faixa começa com um riff cadenciado marcado por uma bela linha de teclado, que da um clima bem medieval. Trata-se de um prefácio sobre o colar conhecido como “O olho da bruxa” (“It’s the eye of the witch”), que teria poderes sobrenaturais, apresentando o passado a quem o usar. Segundo a lenda, o colar também pode matar quem o olhar diretamente. King Diamond apresenta vocais dramáticos e bem teatrais, principalmente no refrão. A dupla de guitarras, formada por Andy LaRocque e Pete Blakk continua impecável, com Andy se sobressaindo por aqui. Foi também o único single do álbum.

2 – The Trial (Chambre Ardente) (King Diamond) (5:13) 5/5

Com seu riff inicial bastante macabro e ameaçador, o genial King Diamond apresenta um de seus maiores diferenciais, os diálogos entre os personagens da história. A primeira faixa nos convida a visitar o passado do “The Eye”, e aqui iniciamos a viagem. King, versátil e criativo, nos apresenta o julgamento e tortura da suposta bruxa Jeanne Dibasson, acusada por Nicholas de La Reymie, o investigador chefe da Corte Cristã da Fogueira (Estaca Ardente) em Paris. O diálogo, todo representado pelos diversos falsetes de King é simplesmente fantástico, e aliado à ótima atuação da banda, mais uma vez com destaque para os guitarristas, completa uma das melhores faixas do álbum. Temos também uma ótima presença dos teclados, criando uma atmosfera que nos permite imaginar a câmara de tortura durante os acontecimentos. Fodástica!

3 – Burn (King Diamond) (3:42) 5/5

Aqui temos a narração da execução de Jeanne Dibasson, condenada a morrer na fogueira da inquisição. O riff é mais rápido do que nas faixas anteriores, com os vocais acompanhando. Após uma passagem bem interessante com violinos após os versos que citam o instrumento (“They say the Devil is here tonight, Then let him play his violin so wild.”), o ritmo desacelera, sem perder o peso, enquanto na letra, as chamas começam a queimar a garota. Rock teatral dos bons, com solos incríveis de Andy LaRocque, que pra mim, toca mais que Michael Angelo Batio!

4 – Two Little Girls (King Diamond) (2:41) 4/5

Trata-se de uma introdução para a história principal do álbum, que começa a partir de agora. Teclados sombrios são o pano de fundo para uma bela interpretação de King, que canta sobre duas garotinhas que brincavam junto a estaca onde as bruxas eram queimadas. Uma delas acha um estranho colar com asas, e tem início uma pequena briga entre as duas pelo colar. Uma delas acaba olhando fixamente para o “Olho” e morre. Nesta faixa podemos identificar a veia lírica de King Diamond, que mostra por que é um dos vocalistas mais injustiçados do metal.

5 – Into The Convent (Diamond/LaRocque/Shaw) (4:47) 4/5

No melhor estilo Marcha Imperial de Star Wars, começa a história principal de The Eye. Os vocais de King Diamond, assim como em quase todo o álbum, estão bastante dramáticos, balanceando os agudos com os graves, soando mais equilibrado. A letra começa a contar a história da freira Madeleine Bavent, que é convidada a participar nua de uma “comunhão”, pelo então capelão do convento, Padre Pierre David. Na hora, Madeleine resolve colocar seu colar (sim, de novo o bendito colar!), e no dia seguinte, o capelão é encontrado morto. O destaque aqui vai novamente para os guitarristas, que claramente se completam. Enquanto Andy LaRocque é o lado escuro da força sombrio das guitarras, sempre melódico e criativo, Pete Blakk é um verdadeiro animal nas seis cordas, rápido e agressivo.

6 – Father Picard (Diamond/Blakk) (3:19) 3/5

Leia o que eu escrevi sobre Pete Blakk na faixa anterior, e irá perceber que esse riff só pode ser do próprio. O nível não se mantém em relação às outras faixas, apesar do ótimo desempenho da banda mais uma vez. O refrão não funciona, e os versos não soam muito bem, dando a impressão de que King se preocupou muito mais em contar a história. Falando nela, aqui temos a chegada do novo capelão do convento, o Padre Mathurin Picard, que parece ser ainda mais devasso do que o capelão anterior. Picard ordena que todos os domingos, 4 freiras, incluindo Madeleine Bavent, participem de uma comunhão (sim, de novo as comunhões safadeeenhas!) em que ele mesmo colocava algum tipo de pó branco alucinógeno no vinho, fazendo com que as freiras obedecessem suas ordens sem questionar.

7 – Behind These Walls (King Diamond) (3:45) 4/5

Forte presença de teclados aqui, aplicando um certo suspense à faixa. Apesar do refrão pouco chamativo, os riffs são ótimos, e King Diamond volta um pouco às origens, abusando mais dos falsetes. Na letra, Madeleine está colhendo flores e começa a ter vagas e estranhas “meias-lembranças” da comunhão anterior, da qual participou, e se pergunta o que de fato acontece “atrás destas paredes”.

8 – The Meetings (Diamond/LaRocque) (4:31) 5/5

Sou puxa-saco do Andy LaRocque. Acho mesmo que o cara é gênio, um dos maiores guitarristas e compositores da história, e não tem o devido reconhecimento. Em coisas como “The Meetings”, existem riffs, solos, passagens que só podem ter sido criadas por um gênio. Letra, riffs e solos fantásticos, com uma pegada bem parecida com a do álbum anterior, Conspiracy (1989). Na letra, temos a resposta para a pergunta que ficou na faixa anterior: os “encontros” consistiam em uma reunião de alguns padres e freiras liderados por Picard, em que sob efeito de alucinógenos, sacrificavam uma criança, pregando-a em uma cruz na parede. Como já foi dito na introdução do texto, infelizmente esses fatos são reais, e não eram tão incomuns na idade média.

9 – Insanity (Andy LaRocque) (3:00) 3/5

Belo instrumental com Pete Blakk no violão e Andy LaRocque na guitarra.

10 – 1642 Imprisonment (Diamond/LaRocque) (3:31) 5/5

Mais uma pérola da dupla Diamond/LaRocque. Tem possivelmente o melhor refrão do álbum, bem forte e com a pegada clássica do King Diamond. A letra narra o fim dos “encontros” do Padre Picard, já que todos os envolvidos foram presos em 1642, alegando problemas mentais. O destaque aqui vai para Pete Blakk, que faz seu solo definitivo no álbum, bastante agressivo e não muito técnico. Blakk viria a deixar a banda logo depois do lançamento de The Eye, devido a problemas com drogas.

11 – The Curse (King Diamond) (5:42) 4/5

Fechando o álbum, voltamos à situação da primeira faixa, em que alguém voltou no tempo através do colar, e agora retorna à realidade. A faixa fecha bem o álbum, no mesmo esquema da abertura, com forte participação dos teclados. Mais uma vez, um inspirado Pete Blakk quebra tudo por aqui, carimbando sua passagem pelo King Diamond com louvor.

Média do álbum: 8,5/10

Da esquerda para a direita: Pete Blakk, Hal Patino, King Diamond, Snowy Shaw e Andy LaRocque.

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  1. #1 por Sérgio em 25/06/2013 - 1:52

    Descordo em relação a fother picard que é uma das minhas preferidas do album, e eu acho o refrão o mais marcante

  2. #2 por Sérgio em 18/08/2013 - 22:33

    Corrigindo Father Picard

  3. #3 por Dickinson Toledo em 24/08/2015 - 14:05

    Todas as musicas desse álbum são perfeitas…

  4. #4 por Thiago Coutinho em 09/09/2015 - 22:28

    Father Picard a pior música?? Fala sério meu… O disco todo é perfeito!!!

  5. #5 por João Paulo Alves Costa em 26/02/2016 - 21:58

    Cara, parabens pelo post.
    Trata-se de um disco que é uma obra prima e nem todos o merecem.
    Só nao concordei com as notas dadas em Into The Convent, Father Picard e Insanity, todas são musicas dignas de nota máxima.

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