(1978) Dire Straits – Dire Straits


Por Bella

Para integrar o palco dos Dinossauros do Rock, temos aqui o Dire Straits. A banda dispensa apresentações, mas eu não: o Dire nasceu em 1977, na Inglaterra, e esse foi o primeiro álbum da banda, que saiu em 78. Dire teve uma boa repercussão na época, principalmente por fazer algo diferente do punk, que reinava absoluto. Trazendo melodias mais leves, ainda elaboradas, mas sem toda a superprodução que era característica dos sons daquele tempo. Sultans of Swing alcançou as paradas do Reino Unido, e depois o mundo. E aqui no Roque Veloz você vai entender o porquê.

Melhor Música: Sultans of Swing (ah vá!)

Pior Música: In The Gallery

Todas as letras escritas por Mark Knopfler.

1 – Down To The Waterline (4:00) – 5/5
Festa na praia. Pode ser bem estranho começar a resenha assim, mas não encontrei jeito melhor de descrever o que Down to The Waterline me faz imaginar. A faixa começa com acordes suaves e espaçados, e de repente ganha batida, mas a primeira impressão só se forma mesmo com a entrada da voz de Mark. É uma das vozes que eu mais admiro, tem um tom aveludado, ao mesmo tempo levemente rouco, e sem jamais pretender desmerecer a grande habilidade instrumental da banda, não posso dizer que a voz de Mark não tenha um grande destaque. Uma coisa bacana nessa faixa é também a finalização, bem leve, deixando uma sensação de continuidade.

2 – Water Of Love (5:26) 5/5
Water of Love se inicia com o som de água pingando, e logo ganha batidas diferentes, que refletem bem o estilo que o Dire Straits continuou desenvolvendo nos álbuns subsequentes. A melodia com acordes que inevitavelmente lembram aquelas músicas árabes estão de acordo com a letra, que faz uma analogia entre a falta de água no deserto e a saudade de um amor que foi embora. Esse tema mela cueca soa até divertido no vocal, que ganha ares country no refrão.

3 – Setting Me Up (3:19) 4/5
Ainda não desisti da ideia que a intro de Macarena lembra muito a dessa aqui, não me batam. Mas, graças a (insira aqui o Ser Superior no qual você acredita), essa toma um rumo bem diferente. A letra é algo um tanto inconformado, descontente, e como sempre, a melodia não reflete isso, o que faz parecer que tudo é normal e tudo está bem para o Dire Straits. Mas na verdade, acredito que as letras tem um sentido muito adaptável, e é nisso que acontece a mágica: quase sempre, enquanto você ouve, acaba pensando um pouco na sua vida. As letras parecem não dar detalhes demais justamente pra instigar você a completá-las, e todas as melodias soam como plano de fundo para uma reflexão, quase sempre otimista.

4 – Six Blade Knife (4:13) 4/5
O Dire Straits aprendeu muito cedo que não soar comercial é uma ótima estratégia…comercial. Sempre que algo começa a predominar as pessoas acabam adquirindo um desejo, talvez irracional, de ir contra tudo. E quando surge uma banda que dá vazão a esse desejo, pronto, todo mundo se interessa. Six Blade Knife é a música que soa mais experimental até agora, o microfone soa apenas complementar falando de mentiras, enquanto uma melodia no mínimo interessante acontece em paralelo. Encurtando um pouquinho e tirando a letra, bingo, teríamos uma música de elevador que melhoraria muito o padrão atual. xD

5 – Southbound Again (3:00) 4/5
Os instrumentos ganham uma presença mais forte (preparando pra Sultans?!), e o vocal quase sempre pouco emocionado do Mark se torna mais incisivo. Como eu disse, as letras sempre instigam a uma aplicação na sua própria vida, então se você foi traído, saiu de casa e tá voltando pro seu barraco, não leia essa. Apenas ouça, não traduza e não interprete. Porque a melodia mais animadinha do álbum (até agora) talvez até te ajude a superar. O fade final é algo absolutamente normal, mas analisando no contexto, soa como cortinas abrindo para o que realmente interessa:

6 – Sultans Of Swing (5:49) 6/5 xD
Chegando aqui, é como se todas as faixas anteriores fossem batatinha frita. Este é o hambúrguer, meu amigo. E vem com muito queijo e bacon. Considerada como a composição mais brilhante do Dire Straits e a que alcançou mais sucesso, Sultans of Swing demonstra todo o talento de Mark, que criou e executou o solo mais foda da história do rock sem palheta e numa velocidade impressionante, algo inédito para a época. A letra é a mais explícita no álbum, abrindo menos espaço para pensar, e inserindo uma crítica leve ao som da época, no trecho (traduzido): “Eles não dão importância à nenhuma banda tocando trompete, isso não é o que eles chamam rock and roll”. Se Elvis é o rei, acredite, Mark é o sultão.

7 – In The Gallery (6:17) 3/5
Tirando uma voz grossa que ninguém sabe de onde veio, a faixa começa com cara de reggae (nesse álbum já teve de tudo), mas a qualidade musical que vem acontecendo desde o começo é mantida. Não gosto muito dessa, não sei se é porque qualquer coisa que vem depois de Sultans fica ofuscada, mas nada nela me atrai, nem o vocal (que é uma coisa na qual eu reparo e falo constantemente, claro que vocês já perceberam). Soa um pouco falada, boring.

8 – Wild West End (4:44) 5/5
Baladinha de qualidade, Wild West End é uma das minhas preferidas. Com um acústico suave e a letra bonitinha, conseguiu conquistar a única mulher do Roque Veloz. haha Uma coisa bacana dessa faixa é que ela soa bem moderna, mesmo hoje. O descomplicado nunca sai de moda, e isso fica visível aqui, uma música agradável, bem construída, perfeita para dedilhar na frente de uma fogueira.

9 – Lions (4:54) 4/5
É um jeito diferente de fechar um álbum diferente. Cumpriu muito bem a missão de apresentar a banda, mostrar o trabalho, que é o objetivo de todo primeiro álbum. Lions soa um pouco repetitiva, mas tem uma letra legal, instrumental sempre bom, não é justo reclamar. Mais uma vez, é difícil dizer o que a letra significa, realmente é muito pessoal. Na minha interpretação, há uma alusão às relações de poder, onde os leões são os reis, há pássaros lutando num tipo de protesto, mas os leões são inatingíveis. Dá pra aplicar isso em muitas coisas na vida.

Média do álbum: 8,6/10

Curiosidades

  • O System of a Down tocava Sultans of Swing em seus shows.
  • Sultans of Swing foi tema da novela “Os Gigantes” exibido pela Rede Globo de televisão em 1979.
  • A banda se chamava inicialmente Cafe Racers. Ao observar as condições precárias do grupo, um amigo do então baterista Pick Withers fez uma piada sugerindo que a banda deveria se chamar “Dire Straits”, que em inglês é uma gíria usada para designar algo ou alguém em situação financeira muito ruim. A sugestão foi aceita com bom humor pelos integrantes que adotaram o nome dali para a frente. O nome soa um tanto irônico hoje em dia visto que o Dire Straits se tornou uma das mais rentáveis e bem sucedidas bandas da história da música, e seu líder, Mark Knopfler, entre os artistas mais ricos do mundo.
  • O grupo foi em 1985 um dos grandes responsáveis pela divulgação e disseminação do então novo e revolucionário formato de audio digital, o compact disc. A Philips, criadora do CD, era patrocinadora da mega-turnê da banda naquele ano e usou o grande sucesso comercial do disco Brothers in arms para alavancar a popularidade do novo formato.

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  1. #1 por guibby em 22/10/2010 - 15:20

    Muito bem escrita, como sempre…Dire Straits realmente é um dinossauro, mas num curto muito x.x, a resenha de sultans of swing me deixou com fome, hehehe…
    Só uma coisa, o System of a Down tocaVA né? pq eles não existem mais x_x…fora isso tá muito boa, parabéns, continue assim =)
    Eu te amo❤

    • #2 por Bella em 22/10/2010 - 16:57

      Hmm…não xD Mas obrigada.
      Já arrumei, little fail, valew por avisar. xD
      A resenha de Sultans é a coisa mais puxa-saco que eu já fiz na vida, mas não pude evitar. xD
      Beijo, eu te amo mais❤

  1. Twitted by guibby

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