(1976) Kiss – Destroyer


Após a sequência dos 3 primeiros álbuns de estúdio, que apesar de muito bons, não venderam nada, o Kiss e a Casablanca Records estavam totalmente falidos. A última cartada foi o lançamento de um álbum duplo ao vivo, o lendário Kiss Alive!, que foi chamado de loucura por muitos, afinal, se as pessoas não queriam comprar álbuns normais do Kiss, por que comprariam um ao vivo e duplo? Mas o Deus Metal não é Deus a toa, e o Alive! vendeu bem, levando à uma grande ascensão comercial dos 4 mascarados de New York. A questão agora era como manter o nível, já que os álbuns de estúdio anteriores não haviam agradado? Com a proposta de levar o som do Kiss a um outro nível de qualidade, foi contratado o produtor Bob Ezrin, famoso pelo trabalho com Alice Cooper. Ezrin além de produtor, é uma mente brilhante no meio musical, e é notável que os álbuns que ele produz, têm muito coisa dele além da produção em si. Assim nasceu Destroyer, o álbum mais famoso da carreira do Kiss, tido como modelo na concepção de outros álbuns, como Revenge (1992, este também produzido por Ezrin) e Psycho Circus (1998), que são claramente tentativas de recriar o Destroyer. É sem dúvida o álbum que eu indicaria pra quem pretende conhecer o Kiss. Portanto, “Shout It Out Loud, ‘cause you gotta lose your mind in Detroit Rock City!”

Melhor música: Detroit Rock City

Pior música: King Of The Night Time World

1 – Detroit Rock City (Stanley/Ezrin) (5:20) 5/5

E tem como dar nota menor que isso pra essa música? De início temos um som de motor e o que parece ser um noticiário no rádio, falando sobre um acidente de trânsito entre um carro e um caminhão. O carro segue seu caminho enquanto toca um trecho da faixa “Let Me Go Rock’n’ Roll” do álbum Hotter Than Hell de 1974. E começa então aquela intro que todo mundo conhece, com os versos clássicos, que dispensam comentários. A linha de bateria simples, porém bastante presente de Peter Criss, e chegamos ao solo, também simples, mas emblemático, além de ser um dos primeiros solos de guitarras dobradas de que se tem notícia. A faixa termina no ápice com o som de um acidente de trânsito. “Detroit Rock City” é sem dúvida uma das músicas mais conhecidas dos caras, estando presente em todas as turnês desde seu lançamento, sempre com bastante pirotecnia, marcando um ponto alto nas apresentações do Kiss.

2 – King Of The Night Time World (Fowley/Anthony/Stanley/Ezrin) (3:13) 3/5

Emendada na útlima nota de “Detroit Rock City”, a faixa seguinte é bem mais pomposa. Com um riff bem característico do Kiss nos anos 70, o destaque aqui vai para o vocal do Starchild, cantando em tons mais baixos, e mostrando extrema melhora em relação aos álbuns anteriores, apesar de ainda não estar em sua forma ideal (que eu considero como sendo entre 1980 e 1995). O refrão repetido N² vezes e um solo que mais parece uma brincadeira, deixam a desejar, fazendo com que a faixa não seja digna de destaque.

3 – God Of Thunder (Stanley) (4:13) 5/5

Logo após uma voz infantil (de um dos filhos de Bob Ezrin) dizer “Ok”, tem início aquela que provavelmente é a música mais sombria do Kiss original. O riff cadenciado com a linha de bateria bem marcante é complementada pelos vocais de Gene Simmons quase guturais. Alguns músicos de Black Metal, como o vocalista Dani Filth (do Cradle Of Filth) consideram essa faixa como a origem do estilo, devido ao riff mais sombrio e principalmente aos já citados vocais. Tudo bem que Dani Filth não é lá uma boa referência pra alguma coisa, mas vale como curiosidade. Originalmente a faixa que foi composta apenas por Paul Stanley, era pra ser cantada pelo próprio, e com um riff bem mais rápido, e mais “feliz”. Porém, quando o produtor Bob Ezrin foi contratado, determinou que Simmons faria os vocais principais, com algumas alterações na faixa, o que causou até uma certa revolta em Paul Stanley, que mais tarde admitiu que a faixa tinha o perfil de Gene. “God Of Thunder” substituiu a antiga “100.000 Years” no solo de baixo, e foi tocada em quase todas as turnês, tendo sumido por um tempo na década de 80, quando as máscaras foram aposentadas e Gene, portanto, não fazia mais o ritual do sangue.

4 – Great Expectations (Simmons/Ezrin) (4:21) 4/5

A primeira balada do álbum tem algo bem “Beatles” em seu piano e versos, bem ao gosto de Gene. A música é bem calma, e conta até com a participação de um coral de crianças no refrão. O vocal de Mr. Simmons contrasta extremamente com o que se ouve na faixa anterior, soando agora limpo e suave. Porém, basta prestar atenção na letra e você percebe que ainda é uma composição de Gene. Afinal, quem mais no mundo colocaria em uma balada frases como: “You watch me singing this song, and you see what my mouth can do, and you wish you were the one I was doing it to” ?

5 – Flaming Youth (Frehley/Stanley/Simmons/Ezrin) (2:55) 5/5

Aqui voltamos ao clima festivo da segunda faixa, e temos também uma prévia do próximo álbum, o também excelente Rock And Roll Over. É o tipo de música que da pra colocar quando alguém perguntar “como era o som do Kiss nos anos 70?”. O riff que aparece depois do refrão é a personificação disso tudo, e pra quem conhece o trabalho do cara, vai perceber a assinatura de Ace Frehley ali na primeira ouvida, além de outros elementos, como o refrão grudento, e a letra em si, bastante “rebelde” pra época. Infelizmente foi tocada em poucos shows no início da turnê de Destoyer, e faz parte das “B Sides” que muitos fãs (inclusive esse que vos escreve) gostariam de ver nos set-lists.

6 – Sweet Pain (Simmons) (3:20) 5/5

Começa com um riff bem estranho, mas bem legal, coisa do excêntrico Gene Simmons. Infelizmente é uma pérola esquecida do Kiss, sendo a única faixa do álbum, que nunca foi tocada ao vivo. Temos aqui também um dos melhores solos do álbum, que ironicamente foi feito por Dick Wagner, na época guitarrista da banda de Alice Cooper. Wagner gravou o solo a pedido de Bob Ezrin, já que o nosso herói Ace Frehley estava mais bêbado do que eu nas gravações do álbum, o que nos leva a acreditar que isso aconteceu em outras faixas também. No mais, puta música legal, que pouca gente conhece ou lembra.

7 – Shout It Out Loud (Simmons/Stanley/Ezrin) (2:50) 5/5

Mais um hino do Kiss. Define bem essa coisa de “rock and roll como diversão acima de tudo”, que o Kiss sempre pregou. Com os vocais principais divididos entre Paul Stanley e Gene Simmons (algo que por curiosidade sempre acontece nos álbuns do Kiss produzidos por Bob Ezrin), e um refrão que é impossível de não ser cantado junto, essa é uma das melhores do álbum. Vale destacar também o ótimo solo, desta vez obra de Ace Frehley (eu acho…). Clássico eterno.

8 – Beth (Criss/Penridge/Ezrin) (2:45) 5/5

Ironicamente o primeiro sucesso comercial do Kiss foi uma balada com piano e orquestra, cantada pelo baterista. Peter Criss tinha uma demo chamada “Beck”, de uma de suas antigas bandas, e por influência de Gene, fez algumas alterações com ajuda de Ezrin. Peter insistiu para que a música entrasse no álbum, e encheu o saco de todo mundo para que ela fosse B side do single de “Detroit Rock City”. E para a surpresa geral, as rádios tocavam mais “Beth” do que “Detroit…”, fazendo com que alcançasse o ótimo 7º lugar na Billboard. O chato do Peter gostou tanto da brincadeira, que tiveram que incluir a faixa nos shows, em que Peter cantava sozinho, sentado com a trilha instrumental ao fundo. Musicalmente, “Beth” é de fato uma bela faixa, um tanto quanto triste, e com os ótimos vocais do Catman, os quais eu realmente gosto, apesar de não ser um grande fã de Peter como baterista. A faixa acabou se tornando um karma na vida do baterista, que fez vários álbuns solo tentando soar como a clássica original, sem nenhum scuesso.

9 – Do You Love Me (Fowley/Ezrin/Stanley) (4:57) 4/5

Mais uma desse álbum que é quase inteiro feito de clássicos. A introdução com a linha de bateria bem característica de Peter Criss (pra não dizer que é a única linha de bateria que ele toca) da início a faixa, que vai ganhando peso, e tem um bom refrão. O fato é que Bob Ezrin é um cara difícil de se trabalhar, mas é gênio. A faixa tem o clima ideal pra fechar o álbum, o que fica bem nítido com “Rock And Roll Demons”, uma faixa de 1:25 de duração que começa logo após “Do You Love Me” e nem é listada nos encartes (e nem aqui :D). Aqui temos apenas alguns overdubs do refrão de “Great Expectations” cantado pelo coral de crianças, e passagens do público com falas de Paul Stanley no Alive!, com alguns efeitos de estúdio adicionados. Segundo Bob Ezrin, seria um complemento para a introdução de “Detroit Rock City”, que abre o álbum com o rádio e o acidente. Destroyer termina com aquela sensação de dever cumprido, o dever que de levar o som do Kiss a outros níveis, como eles próprios dizem.

Média do álbum: 9/10

Os grandes responsáveis por essa obra: Kiss e Bob Ezrin

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  1. #1 por Bella em 15/10/2010 - 13:46

    A resenha ficou ótima, como sempre. Shout It Out Loud é a que eu mais curto nesse álbum (sem querer tirar o mérito da Detroit, merecido). =)

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