(1984) Twisted Sister – Stay Hungry


Por Bella

Capa do álbum.

O Twisted Sister foi formado em Nova York em 1972 pelo guitarrista Jay Jay French. A banda ficou conhecida por seu visual exagerado, cheio de maquiagem e brilho, caracterísitco do glam e influenciado por David Bowie e New York Dolls. Com a entrada de Dee Snider (vocalista e compositor) em 76 vieram influências de Motörhead, Black Sabbath e Alice Cooper, o que tornou o som deles muito mais interessante e mesclou o glam com o heavy metal de vez. Além disso, Dee é um grande frontman e trouxe o brilho (no sentido figurado, porque brilho no sentido literal o Twisted sempre teve xD) que faltava para as apresentações ao vivo, o que começou a angariar fãs. O ápice dessa melhora aconteceu em 10 de Maio de 1984, quando foi lançado Stay Hungry, o terceiro álbum de estúdio da banda. Stay Hungry é mais comercial e tem um estilo mais desenvolvido que os anteriores, e foi o que chamou atenção da MTV. O próprio Jay Jay chegou a dizer: “Cada banda tem seu momento forte. Stay Hungry é para nós como o Dark Side of the Moon é para o Pink Floyd”. Quis postar sobre esse álbum porque sabemos que algumas vezes um álbum cheio de hits como esse não merece a fama que tem. Pois bem. Nesse caso, merece.

Melhor Música: I Wanna Rock

Pior Música: Don’t Let Me Down

*Todas as músicas compostas por Dee Snider, exceto Burn in Hell.

1 – Stay Hungry (3:05) 5/5

Com uma batida empolgante, riffs rápidos e vocal engrenado, a música homônima abre o álbum com o estilo festeiro do Twisted. Mesmo tendo uma melodia relativamente simples, o vocal é de se admirar, e parece que toda a música é direcionada pra exibir o potencial dele. Isso foi feito de maneira surpreendentemente profissional, de forma que percebemos a potência da voz de Dee, mas não deixamos de notá-la em harmonia com os outros instrumentos, não é algo feito para se sobrepor. O solo também tem uma pitada de exibicionismo, nada fora do normal para uma primeira música.

2 – We’re Not Gonna Take It (3:36) 5/5

Essa não só é uma faixa de muita qualidade, como também é muito polêmica. We’re Not Gonna Take It estava na lista das 15 músicas vetadas pelo PMRC (muito bem explicado pelo @andre_hellion aqui) por supostamente conter violência. No entanto, qualquer um que observar a letra da música vai perceber que não há violência, e sim um protesto. Traduzida livremente como “Nós não vamos aguentar isto”, essa faixa fez história ao desmoralizar o PMRC, feito repetido pelo próprio Dee Snider mais tarde no tribunal. Um trecho da letra:

“We’ve got the right to choose and
there aint no way we’re losin
This is our life
this is our song.
We’ll fight the powers that be just
don’t pick our destiny cuz-
You dont know us, you don’t belong.”

Traduzindo…

“Nós temos o direito de escolher
e não tem jeito de perdermos (esse direito)
Essa é a nossa vida
Essa é a nossa música.
Nós lutaremos contra os poderes instituídos
não escolha nosso destino porque
Você não nos conhece, você não faz parte.”

Deixando de lado a letra “orra, te chamou pra briga“, encontramos uma melodia ótima. Existe uma harmonia perfeita entre os instrumentos, de forma que há uma alternância entre os destaques, e Jay Jay arranca um belo solo das cordas. Conta também com a paradinha só pra vocal e bateria, que acabou fazendo o papel de deixar o protesto bem claro.

3 – Burn in Hell (Composta por todos os integrantes) (4:43) 4/5

Menos música de festa que as anteriores, Burn in Hell é um pouco mais estruturada, mas sem surpresas. A letra, que fala sobre pecados, arrependimentos e as coisas que nos levam ao inferno, é cantada de forma um tanto normal demais para o Twisted Sister. De fato, a melhor parte é do solo em diante, quando o vocal se torna mais interessante em conjunto com o backing. Foi tocada no filme “Pee-wee’s Big Adventure” (sem tradução), o primeiro longa do Tim Burton, onde a banda até apareceu discretamente por uns segundos. Considero uma faixa razoável, mas abaixo do potencial (e discrepante com o estilo) do Twisted.

4 – Horror-Teria (Captain Howdy & Street Justice) (7:45) 5/5

Horror-Teria é na verdade um segmento de duas músicas, que juntas contam uma história. Em 1998, quando Dee escreveu e atuou no filme “Strangeland” (filme com uma puta trilha sonora, aliás), essa música foi a base, sendo que o personagem de Snider foi o próprio Capitão Howdy. Começando com alguns segundos do famoso tema de Psicose, pra já mostrar que se tratava de terror, a letra na primeira parte é narrada por um psicopata e os refrões são avisos: “Fique longe do Capitão Howdy”. A letra é legal, mas a melodia é apagada, o que torna a faixa perfeita para trilha sonora. Como música pra ouvir “pura”, deixa um pouco a desejar, é claro. Aí, depois de um fade, começa a segunda parte, Street Justice. Essa é a parte boa. Agora a letra narra o crime já ocorrido, fala do grito de uma criança, e que a justiça não foi feita no tribunal, pedindo então pela justiça das ruas e que o povo não tenha misericórdia. A música ganha mais força, o solo acompanha essa mudança, os coros ficam mais incisivos e o toque especial fica por conta das vozes do povo revoltado ao fundo.

5 – I Wanna Rock (3:04) 5/5

O maior hino do Twisted Sister (e do rock) é o mais óbvio ponto alto do álbum. Com coros perfeitos, vocal impecável e melodia de fazer inveja, não tem música como I Wanna Rock em mais nenhum álbum do Twisted. Traduz a essência da pureza e do amor ao rock com uma letra que não é rebuscada, mostrando mais ainda essa característica de ir direto ao ponto que o Twisted sempre teve. Não acredito que essa faixa ficaria tão perfeita se fosse cantada por qualquer outro que não Dee Snider. O vocal rasgado e levemente rouco dele caiu como uma luva nesse objetivo de mostrar a paixão pelo rock, e também ajudou a dar um grande contraste quando o solo começa. O solo, aliás, é um dos mais legais de se tocar no Guitar Hero. xD

6 – The Price (3:50) 5/5

A balada que estava faltando até agora aparece com peso aqui. Essa é a música para a qual eu imagino um clipe numa estrada com flashbacks passando. Nada original, mas muito adequado. Fala sobre o preço (ah vá!) que temos que pagar por algumas coisas, dos objetivos que temos que abrir mão, sobre escolhas e estilos de vida. Não é muito objetiva, é uma letra que pode ser aplicada a muitas situações, não só ao amor. A letra reflexiva é endossada pelos riffs harmônicos e agradáveis, mas não tristes. Boa música pra pensar na vida.

7 – Don’t Let Me Down (4:28) 3/5

Música morna, que fala sobre expectativas, frustrações. A frase “Don’t Let Me Down” é repetida até a exaustão, não surpreende que grude na cabeça. O solo de Eddie e Jay Jay é a melhor parte da música, e parece que até tenta compensar o restante.

8The Beast (3:29)  4/5

O destaque aqui vai pro solo e pro refrão, de impacto. No restante, acho uma música muito parecida’ com a primeira parte de Horror-Teria, até mesmo na letra. A melodia é bem composta, mas faltou letra e até um pouco de voz pra acompanhar. O vocal soa desnecessário e não transmitiu emoção (talvez porque a letra seja vazia, o que ela diz basicamente é “você vai morrer não importa o que faça”),  o que acabou sendo bom ao dar ainda mais impacto pro refrão em coro, mas tirou a graça da música no restante. Sinceramente, eu adoraria se essa música fosse apenas instrumental.

9 – S.M.F (3:01) 5/5

S.M.F. significa “Sick Mother Fuckers” e é uma homenagem aos fãs da banda, que no começo se denominavam Sick Motherfucking Friends Of Twisted Sister. Como S.M.F.F.O.T.S. seria uma abreviação não muito abreviada xD, eles resolveram que seriam só filhos-da-puta mesmo. A letra fala sobre ser diferente, a “ovelha negra da família” e descreve o típico fã de Twisted na época, fazendo todos se sentirem mais ligados à banda. A música é ótima, empolgante, gruda na cabeça e o solo de Jay Jay tem algo de divertido que realmente cativa. Fechou muito bem o álbum. Quando escutamos S.M.F e a interpretamos como uma faixa de finalização, temos a impressão de que os álbuns seguintes seriam muito bons, de que Twisted ainda teria muito a oferecer. To be continued…

Média do álbum: 9/10

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  1. #1 por guibby em 11/10/2010 - 15:14

    Enfim escreveu xD, demorou hauheuaheuaehuaheuaehuae
    E TS que tava faltando, a resenha tá ótima.
    Beijo, eu te amo❤

    • #2 por Bella em 11/10/2010 - 15:22

      Ei, não faça parecer que vc não me pressionou nem um pouco! heuahsueha
      Também te amo❤

  2. #3 por Hellion em 11/10/2010 - 16:28

    Heeey! Bem-vinda!

    E já chegou na voadora UAHUAHUAHUAHUA \,,/

    Resenha nível top do RV, parabéns!

  3. #4 por dinebbia em 11/10/2010 - 16:56

    AEE não sou único novato agora
    parabéns pelo ótima resenha ;*

  4. #5 por joaora em 11/10/2010 - 18:02

    Aeeeee Bella….Seja bem vinda, oficialmente….Vc já fazia parte, mas num fazia, mas de certa forma fazia!!…..xxD….Resenha fodástica!!…Esse álbum é um clássico.

  5. #6 por darkmephisto em 11/10/2010 - 23:09

    Finalmente alguém pra chefiar o RoqueVeloz hauahua
    Bem vinda oficialmente sra. Motley!

  1. Show do Twisted Sister m/ « Luxe Percent
  2. (27/11/2010) Twisted Sister – Via Funchal – São Paulo – Brasil « Roque Veloz /,,/

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