(1973) Alice Cooper – Billion Dollar Babies


Eis aqui provavelmente o álbum mais famoso de Alice Cooper, e o melhor do Alice Cooper Group. Billion Dollar Babies contou mais uma vez com a produção do grande Bob Ezrin, responsável por várias obras de arte do rock/metal, e está repleto de clássicos da Tia, que entrava em sua fase mais teatral. Sem muitos comentários adicionais, aqui vai mais um da Tia Alice, tão presente no nosso humilde Roque Veloz, here we go!

Melhor música: Elected

Pior música: Mary-Ann

1 – Hello Hooray (Kempf) (4:14) 3/5

A abertura do álbum é bem espalhafatosa, com um ar épico de show business antigo. A letra, escrita por um compositor canadense, soa irônica com Alice nos vocais, e era dessa forma também que iniciavam-se os shows da turnê deste disco. Na verdade a primeira faixa parece mais uma introdução, um tanto quanto extensa, é verdade. Mas ainda assim uma introdução. A coisa melhora logo a seguir.

2 – Raped And Freezin’ (Bruce/Cooper) (3:15) 4/5

Agora sim, com um hardão bem setentista, coisa que a banda fazia de melhor na época. A faixa é empolgante, com um ótimo refrão e destaque pra bateria do grande Neal Smith, um dos melhores bateristas de hard rock da época. No final, o ritmo acelera, dando lugar a um “mariachi” mexicano, mostrando o sempre constante bom humor da banda em suas composições. Foi tocada ao vivo em raras ocasiões, entre elas na Psycho-Drama Tour em 2007, na última passagem de Alice pelo Brasil.

3 – Elected (Cooper/Smith/Dunaway/Bruce/Buxton) (4:05) 5/5

Uma das músicas mais famosas da fase 70’s. Aqui Alice assume o papel de um candidato a presidente, falso e corrupto como todo bom político, com vocais bem rasgados. A música, com clima de campanha eleitoral é lembrada também por um dos clipes mais hilários de que se tem notícia, onde Alice aparece cumprimentando pessoas na rua, discursando e recebendo quilos e mais quilos de dinheiro. Na época foi especulada uma possível candidatura de Alice Cooper, já com o slogan “Um homem problemático para tempos problemáticos.” A letra, genial e irônica, como só Alice sabe fazer conta com o seguinte discurso, proferido também ao vivo durante a execução da faixa:

“And if I am elected
I promise the formation of a new party!
A third party! The Wild Party!
I know we have problems,
We got problems right here in Central City,
We have problems on the North, South, East and West,
New York City, Saint Louis, Philadelphia, Los Angeles, Detroit, Chicago,
Everybody has problems!
And personally…  I DON’T CARE!”

A letra cita também o clássico “School’s Out”, quando Alice diz: “I gotta get the vote, and I told you ‘bout school”, sugerindo a rebelde faixa do álbum anterior como uma “proposta sobre educação”, simplesmente genial! Sem dúvida uma das grandes da Tia.

4 – Billion Dollar Babies (Cooper/Bruce/Reggie) (3:39) 5/5

A clássica introdução na bateria de Smith abre a faixa-título, uma das mais conhecidas da carreira da Tia. Alternando entre seus vocais roucos e versos mais “limpos” Alice tem ao fundo uma das melhores atuações da banda original, o chamado Alice Cooper Group. Merecem destaque a linha de baixo de Dennis Dunaway, intrincada e rápida, e o solo de Glen Buxton (R.I.P.), com um feeling bem legal. A faixa foi tocada em praticamente todas as turnês depois de seu lançamento, e na maioria das vezes, durante a execução, Alice jogava notas de dólar com seu rosto, os “CooperDollars” ao público, em mais um de seus atos teatrais. Classicão.

5 – Unfinished Sweet (Cooper/Bruce/Smith) (6:17) 4/5

Começa com um baixo bem pesado e com bastante distorção, até a entrada do riff principal, ainda com bastante ênfase ao baixo. Aqui Cooper canta sobre uma terrível dor de dente, e logo ouve-se sons daquele motorzinho infernal usado pra obturações e que causa arrepio em muita gente. Segue uma passagem mais psicodélica, tornando a duração da faixa excessiva e um pouco cansativa. Essa música retrata o início dos grandes números teatrais de Alice nos palcos, onde ele escovava e abusava sexualmente de um “dente gigante” e recebia o tratamento dentário com o já citado motorzinho feladaputa (não sei o nome daquilo) também em tamanho gigante. Um ato inicial que tendia muito mais para o cômico do que para o terror, que iria ser a marca registrada de Alice Cooper até hoje.

6 – No More Mr. Nice Guy (Bruce/Cooper) (3:05) 5/5

Outro clássico absoluto da carreira da Tia, e provavelmente seu maior sucesso comercial, com excessão das baladas. Com seu riff facilmente reconhecível e refrão perfeito pra cantar junto, é uma das músicas que mais levantam o público. Diz a lenda que foi escrita como um desabafo de Alice com a imprensa, que não sabia diferenciar o personagem no palco do Alice fora dele. Triste é saber que isso acontece até hoje com muitas bandas.

7 – Generation Landslide (Cooper/Bruce/Dunaway/Smith/Buxton) (4:31) 4/5

Música mais calma, mas nem por isso pior. Tem uma base acústica bem legal, e um ótimo refrão. Seguindo a faixa temos um bem-vindo solo de gaita (!) e finalmente um solo de guitarra maravilhosamente executado por Buxton. “Generation Landslide” foi incluída anos depois no álbum Special Forces de 1981, com o título de “Generation Landslide ‘81”, que não passa da gravação original com sons de platéia adicionados.

8 – Sick Things (Ezrin/Cooper/Bruce) (4:18) 5/5

Composta em parceria com o produtor Bob Ezrin, essa é uma das faixas mais sombrias da carreira de Alice. Totalmente baseada na linha de baixo de Dunaway, e com uma letra doentia, vai ganhando peso ao longo da execução, até a entrada total das guitarras e um bom solo no final. Em algumas turnês, era durante “Sick Things” que Alice aparecia com o famoso número da cobra, onde cantava com uma jibóia enrolada em seu pescoço. O final da faixa emenda com o começo da próxima…

9 – Mary-Ann (Bruce/Cooper) (2:19) 2/5

Começa apenas com o piano, e o vocal, no que parece ser uma letra romântica, que logo se revela mais uma brincadeira. A faixa toda é apenas uma brincadeira no piano.

10 – I Love The Dead (Ezrin/Cooper/Wagner) (5:08) 5/5

É incrível como Bob Ezrin soube explorar tão bem o lado teatral de Alice Cooper. Isso é notado nas duas faixas de Billion Dollar Babies que tiveram sua ajuda na composição. A faixa em questão deveria ser considerada o hino oficial do shock-rock, carregada de ironia, maldade e sons de orgasmo (!!!!). A letra insinua necrofilia, tema abordado pela banda em algumas canções, mas nenhuma de forma tão brilhante, como uma declaração de amor. A interpretação de Cooper aqui mostra porque ele é tão aclamado como o pai do rock teatral. As guitarras encontram espaço para solos que se encaixam perfeitamente no contexto da música. E pra finalizar, o lindo (?) refrão intercalado com os já citados sons de pessoas fazendo sexo. Mais Alice Cooper impossível! “I Love The Dead” talvez seja mais lembrada por ser a trilha sonora das já clássicas “mortes” de Alice nos shows, onde é geralmente decaptado em uma guilhotina, ou enforcado, ou vai pra cadeira elétrica, ou qualquer outra morte que faça o público vibrar por mais sangue. Como eu mesmo disse em outra resenha, THIS IS REAL PSYCHODRAMA! E nesse caso, feito por ninguém menos do que o cara que inventou tudo isso, o grande Alice Cooper!

Média do álbum: 8/10

Na turnê de Billion Dollar Babies durante a execução de Unfinished Sweet

, , , , , , , ,

  1. #1 por Diego Cieni em 10/10/2010 - 12:47

    Muito bom esse review! Parabéns!

  2. #2 por Roberto Prado em 21/12/2010 - 9:32

    CAra, tudo o se diga de Alice Cooper é pouco, muito pouco.
    Agora eu gostaria de saber o que os remanecentes do grupo andam fazendo.
    Saudações!

    • #3 por Hellion em 21/12/2010 - 16:26

      Hey Roberto!

      Com uma pesquisa rápida sobre os membros originais do Alice Cooper Group chega-se ao seguinte:

      Quando Alice se desligou do grupo, todos os membros com exceção de Glen Buxton continuaram juntos sob o nome de Billion Dollar Babies mesmo, gravaram apenas um álbum e separaram-se.

      Buxton teve uma curta carreira solo e faleceu em 1997 devido a uma pneumonia.

      Os outros membros continuam na ativa e até aparecem juntos de vez em quando com suas bandas. Neal Smith é o que está menos ativo, mas continua tocando. Todos eles mantêm contato com Alice Cooper e não descartam uma reunião da formação original, mesmo sem Glen Buxton.

      Pra informações mais detalhadas eu recomendo o http://www.sickthingsuk.co.uk/ que é praticamente uma enciclopédia sobre Alice Cooper, com informações sobre cada músico que já passou pela banda, todos os lançamentos, shows, set-lists, etc. Lindo demais pra quem curte a Tia.

      Abraços!

  1. (1980) Alice Cooper – Flush The Fashion (The Dark Years Pt. 1) « Roque Veloz /,,/

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: