(1984) W.A.S.P. – W.A.S.P. + Animal (Fuck Like A Beast) [Single] + Senta que lá vem história…


Em 1984, ocorre o estouro de mais uma das muitas bandas de hard rock da época, porém essa era diferente. O W.A.S.P. era a banda mais sanguinária, devassa e fora dos padrões que se podia imaginar na época, fato notado tanto em suas letras quanto em seus shows, onde o baixista/vocalista Blackie Lawless arremessava pedaços de carne crua ao púbico e encenava a execução de uma mulher semi-nua no palco, no melhor estilo Alice Cooper. O álbum de estréia do W.A.S.P. (inicialmente entitulado “Winged Assassins”), contava com a faixa “Animal (Fuck Like  A Beast)”, que foi retirada do LP devido ao seu conteúdo, e lançada no mesmo ano como um single por um selo independente. Em relançamentos posteriores, as faixas do single foram incluídas no álbum, portanto temos aqui a análise de um single e um álbum, porém avaliados em conjunto. Confuso? Prepare sua picanha mal passada, pegue sua garota de jeito e ligue o som. Tudo será esclarecido nas próximas linhas. \,,/

Melhor música: Show No Mercy

Pior música: The Flame

Animal (Fuck Like A Beast) [Single]

1 – Animal (Fuck Like A Beast) (3:07) 5/5

O W.A.S.P. vem ao mundo com um de seus clássicos seminais. O riff é certeiro, e o refrão, apesar de seguir a linha das bandas de hard rock da época, não apaga o brilho da faixa, com os vocais agressivos e rasgados de Blackie Lawless. Obviamente a faixa foi alvo de grupos conservadores nos EUA (particularmente o PMRC) devido à sua letra, que cita sexo explícito. No final do post, falarei mais sobre PMRC e as esposas dos senadores. No mais, “Animal…” é um hino do W.A.S.P., que infelizmente não é mais tocado nos shows, devido à recente conversão de Lawless ao protestantismo, o que pôs fim aos clássicos e polêmicos shows teatrais da banda.

2 – Show No Mercy (3:48) 5/5

Quem na época ficou chocado com “Animal…” provavelmente não chegou a ouvir o lado B do single. Eu considero “Show No Mercy” ainda mais sanguinária do que sua “prima rica”, apesar de não tratar exatamente de sexo. Além dos sempre agressivos vocais, Lawless nos brinda com uma ótima linha de baixo, perfeita pra bangear. Merecem destaque o refrão, não tão feliz quanto o da faixa anterior, e o solo insano do “Mean Man”, Chris Holmes. A faixa chegou a ser executada nos primeiros shows da banda, mas parece que foi abandonada em seu status de “lado B”, o que é uma pena.

W.A.S.P. [álbum]

1 – I Wanna Be Somebody (3:43) 5/5

Agora sim abrindo o álbum, com um clássico de peso equivalente ao single. Começa já com a inconfundível voz de Lawless, caindo rapidamente em um dos refrões mais emblemáticos do hard rock. Chris Holmes se mostra um guitarrista bem técnico para os padrões das bandas da época. O solo é seguido pelo refrão cantado por Blackie apenas com a bateria ao fundo, remetendo a outro clássico lançado 9 anos antes: “Rock And Roll All Nite”, do Kiss. Ambas foram feitas para serem hinos, e assim foi feito.

2 – L.O.V.E. Machine (3:51) 5/5

Sem dar tempo pra respirar, Blackie e seus comparsas emendam mais um hino do W.A.S.P., e mais uma vez nos lembramos do Kiss. Além do título, a faixa possui semelhanças com a ótima “Love Gun” dos mascarados de NY. Acordes longos e grande destaque pra algumas partes de bateria lembram a já citada faixa do Kiss, mas não chega a ser motivo pra apontar Blackie Lawless como plagiador. O W.A.S.P. sempre foi visto como um “Kiss do mal”, e a influência nunca foi negada. Na verdade, Blackie e Ace Frehley se conhecem desde a adolescência, e chegaram a pertencer à mesma gangue.

3 – The Flame (Lawless/Holmes/Marquez) (3:41) 3/5

O nível não se mantém na terceira faixa, que apesar do excelente refrão, que gruda MUITO, não empolga, e não tem nada de mais, como as anteriores. Boa faixa apenas.

4 – B.A.D. (3:56) 4/5

Melhor que a anterior, tem um riff bem interessante e os vocais de Lawless destacam-se novamente. Incrível a identidade vocal do cara, na primeira frase você já imagina ele cantando, fantástico. A faixa só peca em seu refrão, repetido “n” vezes, sem muita necessidade.

5 – School Daze (3:35) 5/5

Faixa claramente inspirada em “School’s Out” de Alice Cooper. Começa com vozes de crianças fazendo o juramento à bandeira dos EUA, seguidas pelo riff que tem bastante semelhança com a música da Tia. Na letra, Blackie assume o papel de uma criança que não agüenta mais suas aulas, soando até um pouco cômico. Um solo cheio de feeling, e um dos refrões mais legais do álbum fecham essa música digna dos melhores tempos de W.A.S.P..

6 – Hellion (3:39) 5/5

Tem início com um riff infernal, uma das melhores faixas não só do disco, mas de toda a carreira do W.A.S.P.. Blackie canta de uma forma bem “rasgada”, com ótimos backin’ vocals de Randy Piper, que também abusa dos harmônicos na sua parte do solo. É uma das músicas que sintetizam a primeira fase da banda, e é tocada ao vivo até hoje, sendo um dos pontos altos dos shows.

7 – Sleeping (In The Fire) (3:55) 5/5

A única balada do álbum é tão sombria quanto as outras faixas. Possui uma bela introdução acústica, e uma das melhores letras do álbum, ao lado da faixa anterior. Vai ganhando peso ao longo de sua execução, e o grande destaque aqui vai para o solo de Chris Holmes, simplesmente maravilhoso. Sua versão definitiva foi lançada no ao vivo The Sting – Live At The Keyclub em 2001, onde ganha óbviamente o peso da versão ao vivo, porém com mais ênfase aos solos.

8 – On Your Knees (3:48) 5/5

Sintetiza o álbum, ao lado de “Hellion”, aliás, são músicas irmãs. Sua letra com citações sadomasoquistas, reforça a idéia de pervertidos sexuais que a banda passava nos primeiros anos, e o refrão, na minha opinião, o melhor da carreira do W.A.S.P.. “On Your Knees” foi usada como faixa de abertura na maioria das turnês da banda, e de fato funciona muito bem abrindo o set, com sua inconfundível e pesada introdução. Pessoalmente, me traz boas lembranças do show do W.A.S.P. em São Paulo, em 2010 onde foi novamente colocada para abrir a apresentação.

9 – Tormentor (Lawless/Holmes) (4:10) 5/5

Sons de correntes sendo arrastadas, grilhões, e cheiro de sangue fresco! Essa faixa representa muito mais do que o que está registrado no álbum. Nos shows, era durante sua execução que acontecia o famoso ritual da carne crua, onde Blackie Lawless cortava pedaços de carne com um machado, atirava ao público e por fim, simulava o assassinato de uma mulher semi-nua, cortando-lhe a garganta. O alvoroço que isso causou na época foi monstruoso, com grupos conservadores indignados, pais se descabelando e o já citado PMRC surtando de raiva (como eu já disse, falaremos mais sobre as esposas de Washington). Vale a pena ver a cena nesse registro da apresentação da banda em Londres em 1984. Esqueça o sangue falso de Gene Simmons, esqueça as espetaculares mortes de Alice Cooper, o morcego mordido acidentalmente por Ozzy Osbourne e os chiliques religiosos de Marilyn Manson… THIS IS REAL PSYCHODRAMA!!!

10 – The Torture Never Stops (3:56) 5/5

A estréia do W.A.S.P. termina com uma das faixas mais brutais do álbum. Brutal na letra e no riff, meio cavalgado, e ganha peso e velocidade no final. O refrão é marcante como no álbum todo, e a faixa fecha o álbum com louvor.

Todas as faixas por Blackie Lawless, exceto onde anotado.

O PMRC

Nos anos 80 surgiu uma organização que tinha por objetivo censurar músicas e artistas considerados impróprios para a família padrão norte-americana. Fundado por Tipper Gore, então esposa do senador,  futuro vice-presidente dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel, Al Gore, o PMRC (Parents Music Resource Center) contava com a participação não só de Tipper, mas de esposas de vários políticos estadunidenses da época, sendo referido algumas vezes também como “The Washington Wives”. A idéia surgiu quando Gore e sua filha ouviram a canção “Darling Nikki” do cantor pop Prince, que contém citações sobre sexo e masturbação (“I knew a girl named Nikki/I guess you could say she was a sex fiend/I met her in a hotel lobby/Masturbating with a magazine”). A princípio o PMRC enviou cartas às principais gravadoras da época, sugerindo que fossem colocados adesivos com avisos sobre conteúdo explícito das letras, nos álbuns em que fosse necessário. Totalmente ignorado pelos selos, o grupo entrou com uma ação na justiça, acusando artistas, em sua grande maioria bandas de rock/heavy metal por conteúdo não apropriado em suas músicas. Em 1985 saiu a famosa lista conhecida como “The Filthy Fifteen” (“As 15 Asquerosas”), contendo algumas das músicas e artistas acusados pelo PMRC. Eis a lista:

Nessa época um dos principais ativistas contra as ações do PMRC era o vocalista do W.A.S.P., Blackie Lawless, que em todos os shows dedicava alguma canção ao grupo, sempre com muita ironia quando dizia que “Tipper Gore diz que eu e meus amigos somos pervertidos sexuais.” Dois outros principais ativistas foram o lendário Frank Zappa e Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, que protagonizaram um dos momentos mais importantes da história do Rock/Heavy Metal, e que todo headbanger deveria se orgulhar. Eles discursaram no senado em Washington em defesa contra as acusações do PMRC, e com inteligência, desmoralizaram as esposas de Washington perante o senado. Principalmente Dee Snider, que chegou com seu jeans rasgado, cabeleira espalhafatosa, e retirou do bolso um papel todo amassado com o discurso que seria pronunciado, chegando a provocar risos no tribunal. No final, indagado sobre a canção “Under The Blade” conter referências sadomasoquismo e estupro, Snider proferiu a célebre frase: “O único sadomasoquismo e estupro nesta música está na cabeça da Sra. Gore. Ela estava procurando por sadomasoquismo e estupro, e ela encontrou. Alguém procurando por referências cirúrgicas encontraria-as da mesma forma.” Já que a música trata sobre uma cirurgia a que o guitarrista da banda, Jay Jay French, foi submetido. Ao longo dos anos, vários artistas protestaram contra o PMRC, sendo o mais notável deles Blackie Lawless, que até meados de 2007 citava o PMRC em seus shows antes da execução de “Animal…”. Devido a questões de caráter religioso do vocalista, a banda não executa mais a canção ao vivo. O PMRC continua a existir até hoje, mas os principais alvos da organização hoje são os artistas de rap, principalmente o cantor Eminem. O Roque Veloz presta uma homenagem à esses bravos guerreiros que lutaram contra a censura e tiraram algumas noites de sono das “esposas de Washington”. Obrigado Blackie Lawless, Dee Snider e Frank Zappa.

Aqui um vídeo retirado do documentário “Metal: A Headbanger’s Journey” (o qual eu recomendo aos que ainda não viram) com uma entrevista de Dee Snider e trechos de seu discurso contra o PMRC:

E aqui Blackie Lawless falando um pouco sobre “this wonderfull organization called the PMRC.”:

Não existe muito material sobre esse assunto em português, então se gostarem, por favor divulguem, e eu espero que tenham se divertido lendo o texto e a resenha tanto quanto eu me diverti escrevendo. Por hora, até mais, Animals and Hellions!

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  1. #1 por Isabella Brendler em 24/09/2010 - 18:22

    O Dee só me deixa orgulhosa, all the time. xD
    Gostei do post, W.A.S.P. é foda, queria ter ido no show x_x
    Roque Veloz tá cada dia melhor, foi bacana colocar um pouco de “história” nesse post. É legal mostrar os bastidores de tudo além das resenhas, sacada genial.
    Keep Rockin’

  2. #2 por joaora em 24/09/2010 - 21:26

    Cara que post lindo da mamãe….*-*….Apoiado em gênero, número e subconsequencia psiquica em tudo que tu disse!….W.A.S.P forevis!

  3. #3 por darkmephisto em 24/09/2010 - 21:59

    Cara que post lindo da mamãe….*-*[2]
    Carai q aula mano /o\

  1. (1989) Mötley Crüe – Dr. Feelgood « Roque Veloz /,,/
  2. (1992) Ramones – Mondo Bizarro « Roque Veloz /,,/
  3. (1973) Alice Cooper – Billion Dollar Babies « Roque Veloz /,,/
  4. (1984) Twisted Sister – Stay Hungry « Roque Veloz /,,/
  5. (2002) W.A.S.P. – Dying For The World « Roque Veloz /,,/

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