(1986) Titãs – Cabeça Dinossauro


Capa do álbum

Cabeça dinossauro é o terceiro álbum da banda brasileira Titãs, e o primeiro da banda a alcançar disco de ouro, em apenas 6 meses. Após dois discos que não conseguiram “capturar” muito bem a essência da banda, os músicos tentaram inovar com algo mais pesado dessa vez, e deu certo, com uma mistura de Punk Rock, Reggae e algo pop, “Cabeça Dinossauro” é um marco na história do rock n’ roll nacional e um clássico absoluto do titãs, com músicas para todos os gostos.
A capa foi baseada em um esboço do pintor italiano Leonardo Da Vinci, intitulado A expressão de um homem urrando. Em 1997 a revista Bizz elegeu Cabeça Dinossauro como sendo o melhor álbum de poprock nacional com 11, de suas 13 faixas sendo executadas em rádios.

Melhor Música: Polícia

Pior Música: A Face do Destruidor

1. “Cabeça Dinossauro” (Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos) – 2:20 5/5
A Faixa de abertura e título do álbum mostra quão a banda era inovadora para a época, com pouco mais de 2 minutos de música, possuí apenas 3 versos, algo inusitado no brasil, tem um instrumental bacana e cativante, com guitarras pesadas e uma batida de bateria inspirada em tambores indígenas da tribo Xingu, mostrando também o lado cultural que a música brasileira pode ter. Com participação especial de Liminha na percussão.

2. “AA UU” (Marcelo Fromer, Sérgio Britto) – 3:01 5/5
Com o calcanhar no punk rock, só que com uma batida um pouco mais leve, “AA UU” é a primeira música de trabalho do disco, versos cantados rápidos e um refrão simples fazem da música um clássico da banda, sempre presente em seus shows até os dias de hoje, porque ganha peso ao vivo e é ideal para pular.

3. “Igreja” (Nando Reis) – 2:48 4/5
Mostrando um pouco mais de técnica e uma letra um tanto quanto questionadora,  a partir daqui a banda mostrava todo seu potencial para críticar certos costumes da sociedade de uma forma não-convencional e que chega sem enrolações aos seus ouvintes, um dos principais fatores que levavam a banda a ter letras censuradas diversas vezes.

4. “Polícia” (Tony Bellotto) – 2:06 5/5
Se tornou hino por ser tão realista (infelizmente) mostrando toda a corrupção da polícia no Brasil, um punk rock cativante e agitado que soa ainda melhor ao vivo e acaba tomando conta de todos por perto. Até mesmo dos policiais. Um soco na boca do estômago da sociedade, e lançada também como um protesto sobre a ditadura militar no país, que reinou de 1964 a 1985. Melhor música do disco e uma das melhores da banda, sem dúvida.

Vale a pena uma conferida nesse vídeo ao vivo da banda tocando a música junto com o Sepultura, em 1994

5. “Estado Violência” (Charles Gavin) – 3:10 4/5
Única música composta pelo baterista Charles Gavin, inicia-se com uma introdução na bateria e uma linha de baixo interessante, é provavelmente a música com pegada mais pop do álbum, não chega a marcar, mas é uma boa música. A letra crítica principalmente a ditadura militar, que tinha acabado de deixar o poder no país, citando a violência que ela praticava e o poder que ela exercia sobre os civis que não podiam ter uma opinião.

“A lei não é minha
A lei que eu não queria
Meu corpo não é meu
Meu coração é teu
Atrás de portas frias
O homem está só”

6. “A Face do Destruidor” (Arnaldo Antunes, Paulo Miklos) – 0:34 1/5
Beirando o Thrash metal (Sim), uma pancadaria ensudercedora começa e termina com pouco mais de 30 segundos…felizmente.É uma faixa que poderia ter ficado de fora do álbum, pois logo que se dá seu início, o ouvinte fica aflito esperando a próxima música.

7. “Porrada” (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto) – 2:51 4/5
Com um riff bem hard rock, a banda volta ao seu jeito não tão pesado, e com outra letra tratando de temas polêmicos, abertamente, a banda mostra que a música é uma forma muito válida e agradável de se fazer um protesto, isso é rock brasileiro, letras que inspiram e fazem algum sentido, sem ficar choramingando ou andando de calças coloridas por aí.

8. “Tô Cansado” (Arnaldo Antunes, Branco Mello) – 2:18 3/5
Eis uma letra que poderia cair muito bem no Brasil agora, em época de eleição com tantos “candidatos” que fazem zona no horário político (entre os mais comentados, o humorista Tiririca com seu bordão “Pior que tá não fica.”), os políticos de verdade deveriam se mexer e fazer alguma coisa para que isso não se repetisse diversas vezes, só assim o Brasil deixaria de ser o que é, e começaria se tornar um país de verdade.

“Tô cansado de me dar mal
Tô cansado de ser igual
Tô cansado de moralismo
Tô cansado de bacanal”

Agora voltando a música em si, não traz nada muito novo ao álbum, tem aquela pegada pop rock com uma pitada de punk e a letra apesar de todo o discurso político aí em cima, é uma das mais simples do álbum, o refrão “Tô Cansado” chega a se repetir exageradamente, enjoando o ouvinte.

9. “Bichos Escrotos” (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto, Nando Reis) – 3:13 5/5
Outro hino da banda, já em seu riff de abertura “Bichos Escrotos” traz energia total. A Banda já tocava a música desde 1982, mas não puderam gravá-la antes por causa da censura, e mesmo após a ditadura a música foi proíbida de tocar nas rádios por conta de palavrões em sua letra. Mesmo assim rádios se arriscaram, pagaram multas e tocaram a música, mostrando toda a força que o titãs estava alcançando na época. O uso de sintetizadores durante a música nos faz lembrar bastante de outra música do Titãs “Sonífera Ilha”, em seu fim tem um excelente solo de baixo que dá um quê a mais pra música, além é claro de sua polêmica letra. Em seus versos a banda cita os bichos considerados sinais de doença (Baratas, Ratos, Pulgas) fazendo uma alusão que assim é a vida do suburbano, cheio de lixo e para os bichinhos bonitinhos irem se foder, porque não é essa que a imagem da vida da sociedade passa. O triste é saber que enquanto músicas boas como essa eram censuradas e hoje em dia “letras” muito piores como alguns funks cariocas tocam por aí sem o menor problema, e com crianças de 8,9 anos falando putarias e outras coisas por aí, a triste realidade brasileira.

10. “Família” (Arnaldo Antunes, Tony Bellotto) – 3:32 5/5
Aqui a banda deixa as críticas pesadas e o lado mais punk de lado, com uma pegada agradável e calma, quase adentrando em um reggae, a música mostra a agradável (ou não) convivência dentro de uma família, e no fundo, a família é tudo o que realmente sobra em alguns casos, contagiante e alegre, Família não tem aquele ponto forte de críticar algo da sociedade, mas é uma bela obra da banda.

11. “Homem Primata” (Ciro Pessoa, Marcelo Fromer, Nando Reis, Sérgio Britto) – 3:27 5/5
E aqui temos uma das maiores pérolas do titãs e do rock nacional! Com sua pegada um pouco mais pop do que o restante do álbum, e um refrão chiclete, que assim como a maioria das músicas da banda ganha mais energia ainda ao ser tocada ao vivo, a música crítica principalmente o capitalismo praticado pelos humanos e faz várias referências ao longo da música como a passagem pela “Selva de Pedra”, fazendo alusão as grandes metrópoles que com tantos prédios em sua volta acabou virando uma grande floresta, e as pessoas que habitam esse ambiente são nada mais do que “Homens Primatas”, fazendo a mesma coisa que os macacos faziam, criando e destruindo. No meio da música também existe uma passagem de crítica ao globalismo, com alguns versos em inglês da música de uma forma um pouco “irônica”, e também além de tudo isso, voltando a críticar a religião na passagem “Eu aprendi/A vida é um jogo/Cada um por si/E Deus contra todos/você vai morrer e não vai pro céu/é bom aprender, a vida é cruel” e ainda assim depois de tudo isso, dá pra deixar em destaque a performance ao vivo da banda, durante a execução da música, e ao seu instrumental, que pode parecer pobre vendo do lado técnico, mas é aquele tipo de música que realmente te levanta, VIVA O ROCK NACIONAL!

12. “Dívidas” (Arnaldo Antunes, Branco Mello) – 3:08 4/5
Aqui a banda crítica o que quase todo brasileiro reclama no fim do mês, trabalha, trabalha, trabalha e no fim não sobra nada para gastar, a única coisa que se tem são Dívidas, seja em contas, recibos ou impostos, e que o governo não faz nada para ajudar o povo, e o salário se desvaloriza cada vez mais. Realidade. Musicalmente a música não traz nada de novo ao álbum, soa apenas como uma mistura de tudo tocado até aqui.

13. “O Quê” (Arnaldo Antunes) – 5:40
3/5
Pra encerrar esse magnífico álbum uma música não tão grandiosa, a faixa mais longa do álbum (5:40) inicia-se com uma introdução na bateria, tem uma pegada bem parecida com o restante das músicas dos álbuns, mais como se fosse uma junção de Tô cansado (em seu jeito de cantar, e a forma de como a letra foi composta) e Família (musicalmente falando), é muito repetitiva e chega a enjoar certa hora, porém não tira o brilho dessa pérola que é o álbum, Titãs prova em Cabeça dinossauro que o Brasil tem qualidade pra se fazer música que presta, e não se limitar aos lançamentos de hoje em dia de bandas sem criatividade e letras insignificantes, enfim, álbum muito mais do que recomendado para qualquer um que goste de música, independente de rótulos, é um álbum que marcou época na história musical do Brasil.

Média do álbum: 8/10

Titãs

“Desde os primórdios
Até hoje em dia
O Homem ainda faz
O Que o Macaco Fazia…”

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  1. #1 por Fabio em 07/09/2010 - 18:25

    VC É LOCO DE FALAR QUE A FAIXA “A Face do Destruidor” É RUIM ELA É MUITO FODA

  2. #2 por joaora em 07/09/2010 - 19:48

    Não curto ” A face do destruidor” tbm… Dá pra entender nada, é so barulheira!… Pra mim ela é inútil!

  3. #3 por ♠Gabba Gabba♠ em 11/09/2010 - 11:07

    “A Face do Destruidor”, a meu ver é uma das melhores musicas do album, que é de todo bom.
    Mas isso varia de gosto, por exemplo, a música do Titas que eu mais curto é “Isso para mim é perfume”, faixa essa que quase todos repudiam.
    Bom post. ^^

  4. #4 por Vinicius Tarazona "Moita" em 30/09/2010 - 0:15

    Acho que nesse disco a melhor música é “O Quê”.

  5. #5 por RUBRO ZORRO em 30/09/2011 - 17:30

    não acho que estado violencia seje a que tem mais pegada pop , inclusive acho uma das melhores do disco , com sua letra extremamente política e sua bela introduçâo na bateria , creio que foi a unica musica que charles compôs solo , mas uma ótima musica que infelizmente não foi um dos grandes hits da banda . família é a que acho mais pop e tb acho que ela desequilibra o album , ficaria melhor nos dois albums anteriores . a face do destruidor ,nâo sou tão fã , mas passa tão rápido que não chega a incomodar . já polícia , só gosto ao vivo , o impacto é bem maior .

  6. #6 por joaunpaullosnts em 23/02/2015 - 19:27

    A pior letra que esse disco tem é a de Igreja. Como foi que esse luxo de banda teve coragem de fazer esse lixo de letra? Como católico, me sinto ofendido com esses versos, com essas palavras. Tudo bem que os Titãs são um dos maiores grupos musicais do Brasil, mas essa letra que eles escreveram é uma tremenda falta de respeito com os católicos e com os cristãos em geral.

    • #7 por Saulo Eduardo Korndörfer em 04/12/2016 - 17:50

      Nada a ver. Ninguém é obrigado a gostar de religião só porque você gosta. A isso se chama “liberdade de expressão”.

      Família critica algo sim, a estrutura familiar onde todos almoçam, comem juntos, fazem coisas juntas. Os anaraquistas, por exemplo, são contra as instituições familiares, defendendo que todo mundo viva em comunidades misturadas.

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